Porto, 30 jun 2026 (Lusa) — A fase de auscultação aos cidadãos relativa ao troço nortenho da futura linha ferroviária de alta velocidade (LAV), abrangendo os municípios de Espinho, Vila Nova de Gaia e Porto, chegou ao fim com o registo de 160 contributos submetidos. A contagem final foi aferida através do portal oficial participa.pt, após o encerramento do período de recolha focado no Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) para as subestações planificadas entre a Invicta e a zona de Oiã, em Oliveira do Bairro. Esta nova ronda de debate público incidiu especificamente sobre as secções geográficas que tinham visto o seu aval condicionado ser recusado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) devido a alterações estruturais não calendarizadas no projeto original.
A reformulação apresentada a escrutínio surge na sequência do bloqueio ditado pela APA em dezembro passado, quando o consórcio construtor AVAN Norte tentou mudar a localização da futura gare de Gaia para a periferia de Vilar do Paraíso e propôs a divisão da travessia do rio Douro em duas estruturas independentes. O desenho atual reverteu essas modificações, repondo a centralidade e a intermodalidade com a rede de metropolitano em Santo Ovídio e resgatando o conceito de uma única ponte rodoferroviária com dupla plataforma sobre o Douro. Paralelamente, o projeto de engenharia otimizado prevê agora uma intervenção em Campanhã moldada num modelo de estação-ponte, com acessos aéreos de ligação às respetivas plataformas de embarque de passageiros.
O impacto urbanístico nas zonas habitacionais e empresariais foi também recalibrado nas diferentes frentes geográficas. No Porto, as projeções apontam para a necessidade de avançar com demolições que afetam mais de quarenta residências e sete unidades económicas na envolvente da Avenida Gustave Eiffel. Em Vila Nova de Gaia, embora a pressão sobre o edificado residencial tenha recuado para as 43 habitações, a afetação de empresas escalou para as 37 instalações. Por sua vez, o concelho de Espinho arcará com intervenções em oito habitações na área de Anta. Recorde-se que a meta passa pelo arranque dos trabalhos de engenharia civil no terreno ainda este ano, programando-se a conclusão total da ligação veloz até Lisboa para meados de 2032, reduzindo o tempo de viagem direta para pouco mais de uma hora.