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Nova fábrica de comboios em Matosinhos vale 28,6 ME e estará pronta em 2 anos
O empreendimento liderado pela Alstom e pela DST vai gerar mais de mil empregos em Guifões, estimando-se que as primeiras carruagens de um megacontrato de 1.064 milhões de euros comecem a circular em 2029.
Por Redação
Publicado em 30/06/2026 15:08
Economia
@Lusa

Matosinhos, Porto, 30 jun 2026 (Lusa) — A futura unidade de produção e montagem de composições ferroviárias da multinacional Alstom, localizada no concelho de Matosinhos, deverá estar totalmente concluída num horizonte de 24 meses, representando um investimento global de 28,6 milhões de euros assumido em parceria com o grupo de construção DST. As balizas temporais e orçamentais da obra foram avançadas pelos líderes das respetivas empresas à margem da cerimónia de colocação da primeira pedra do complexo hoteleiro e industrial de Guifões. O evento oficial contou com as presenças do líder do Executivo, Luís Montenegro, do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, e do presidente do conselho de administração da CP, Pedro Moreira.

O plano prevê a edificação de uma infraestrutura com cerca de 20 mil metros quadrados contígua às atuais oficinas da operadora pública de comboios. Segundo as estimativas do consórcio construtor, as obras vão mobilizar até meio milhar de operários nas fases de maior intensidade, existindo o intuito de encurtar o calendário estipulado. Assim que a fábrica atingir a sua fase operacional regular, a Alstom projeta a criação de 300 postos de trabalho por via direta e cerca de um milhar através de fornecedores e serviços indiretos. A calendarização aponta para que as primeiras carruagens saiam da linha de montagem no decorrer de 2029, estabelecendo-se a partir daí uma cadência média de fabrico de três unidades por mês.

O responsável da Alstom no mercado nacional, David Torres, justificou a aposta no país com a sua centralidade geográfica, a qualidade dos recursos humanos e a estabilidade das políticas públicas de investimento a longo prazo. Por seu turno, o presidente da DST, José Teixeira, defendeu uma maior complementaridade entre o setor privado e o Estado na modernização do país, assegurando a total aptidão técnica da construtora para assumir desafios de grande escala no plano ferroviário, incluindo as futuras linhas de alta velocidade (TGV). Pelo lado da CP, Pedro Moreira enalteceu o impacto deste polo tecnológico na transição ecológica, sublinhando que o transporte sobre carris é peça-chave para Portugal cumprir as metas europeias de descarbonização e redução de emissões.

A nova unidade industrial em solo matosinhense assume um papel central no plano de renovação de frota da CP, ficando responsável pela produção de 81 das 153 novas automotoras encomendadas à Alstom para reforçar os eixos urbanos do Porto, de Lisboa e da linha de Cascais, sendo o remanescente fabricado na Catalunha. As novas composições de três carruagens terão capacidade para albergar 450 passageiros e contarão com piso rebaixado, internet sem fios e áreas dedicadas a bicicletas e mobilidade reduzida. Este volume total de encomendas resulta de uma revisão recente que adicionou 36 comboios ao contrato inicial, elevando o valor financeiro do negócio para 1.064 milhões de euros até 2031, num quadro de investimentos que inclui ainda a receção de comboios regionais da Stadler e o lançamento do concurso para a alta velocidade.

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