Dubai, Emirados Árabes Unidos, 15 jul 2026 (Lusa) — As forças armadas dos Estados Unidos voltaram a fechar o cerco aos portos do Irão. A decisão de reativar o bloqueio surge como resposta direta a uma série de ataques levados a cabo por Teerão contra navios mercantes que tentavam navegar pelo estratégico Estreito de Ormuz.
O Comando Central norte-americano (CENTCOM) revelou ter realizado uma nova vaga de ataques aéreos em solo iraniano na terça-feira, poucas horas antes de consolidar o bloqueio marítimo. A resposta de Teerão não se fez esperar: o disparo de dezenas de mísseis e drones contra nações árabes vizinhas fez soar as sirenes de alarme no Bahrein e no Kuwait. Segundo o almirante Brad Cooper, Washington está determinado a responsabilizar o regime iraniano por estas "agressões injustificadas que colocam vidas inocentes em risco".
A presença militar dos EUA na região é massiva, contando atualmente com pelo menos 19 navios de guerra no Mar Arábico — incluindo dois porta-aviões e centenas de aeronaves prontas a operar. Este braço de ferro pelo controlo da rota por onde passa um quinto do petróleo mundial ameaça deitar por terra o frágil cessar-fogo e arrastar o Médio Oriente para um conflito armado de larga escala.
O bloqueio original, imposto em abril, tinha sido levantado em junho após a assinatura de um acordo provisório de 60 dias. Contudo, as negociações sobre o programa nuclear iraniano e a livre circulação marítima estagnaram. O Presidente norte-americano, Donald Trump, chegou a sugerir a aplicação de uma taxa de 20% aos navios que cruzassem o estreito, mas recuou após conversas com líderes do Golfo Pérsico, que preferiram prometer investimentos de "milhares de milhões de dólares" nos EUA. Trump já avisou, contudo, que novas pontes e centrais elétricas no Irão serão alvo de bombardeamentos na próxima semana se Teerão não regressar à mesa de negociações.
A instabilidade militar teve reflexo imediato nos mercados energéticos. O preço do barril de petróleo Brent disparou momentaneamente para lá dos 87 dólares na terça-feira, acabando por recuar para os 78 dólares após as declarações de Trump sobre o alívio das taxas de navegação.
Enquanto a diplomacia internacional, liderada pelo Paquistão, tenta contra o relógio salvar o cessar-fogo, frentes paralelas continuam por resolver. Em Roma, delegações do Líbano e de Israel tentam desbloquear o acordo que prevê a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano em troca do desarmamento do grupo xiita Hezbollah, que entrou no conflito em apoio direto ao Irão.