Lisboa, 15 jul 2026 (Lusa) — O embaixador do Irão em Portugal desvalorizou o facto de o novo líder supremo do país ainda não ter aparecido fisicamente em público desde que assumiu o poder. Numa entrevista concedida à agência Lusa, Majid Tafreshi justificou o recolhimento de Mojtaba Khamenei com rigorosos protocolos de segurança, face às constantes ameaças externas.
Mojtaba Khamenei foi nomeado líder supremo a 8 de março, na sequência da morte do seu pai, Ali Khamenei, que faleceu a 28 de fevereiro após bombardeamentos atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. O embaixador em Lisboa foi peremptório ao explicar que a ausência pública do aiatola é uma medida de proteção elementar. "Os nossos inimigos estão a tentar encontrar alvos", frisou, ironizando até com o facto de o líder estar a trabalhar ativamente por escrito: "A comunidade internacional e os iranianos estão a receber as suas mensagens. Não são mensagens do ChatGPT. É ele que as escreve".
Além de defender a liderança interna, o diplomata iraniano aproveitou para responsabilizar diretamente os Estados Unidos pelo clima de instabilidade na região, acusando Washington de violar os termos do cessar-fogo assinado a 17 de junho. Segundo Tafreshi, foram as forças norte-americanas que "arrastaram o Estreito de Ormuz para a guerra", atacando embarcações iranianas e insistindo numa presença militar indesejada na região.
"O que nós queremos é ver-nos livres dos estrangeiros", vincou o embaixador, argumentando que o Irão tem maturidade suficiente para garantir a segurança regional e que prefere focar-se na atração de turistas e de investimento económico em vez de acolher bases militares estrangeiras.
Num tom mais conciliador sobre o futuro geopolítico, Majid Tafreshi defendeu ainda que o Médio Oriente deveria transformar-se urgentemente numa "zona livre de armas nucleares", apelando aos líderes mundiais para que reduzam o investimento militar e deem prioridade à diplomacia e cooperação entre povos.