Lisboa, 05 jul 2026 (Lusa) — A Lusíadas Saúde mantém o interesse em voltar a integrar uma Parceria Público-Privada (PPP) na área hospitalar. Contudo, o presidente do grupo, Vasco Antunes Pereira, avisa que o atual modelo das Unidades Locais de Saúde (ULS), no que toca à articulação com os privados, carece de uma regulamentação mais robusta e de metas focadas na eficácia e não apenas no volume de atos médicos.
Em entrevista à agência Lusa, o gestor recordou com orgulho os 14 anos em que o grupo esteve à frente do Hospital de Cascais, justificando a saída com a insuficiência do envelope financeiro para assegurar os padrões de qualidade exigidos a longo prazo. Sublinhou, no entanto, que o modelo de gestão privada de infraestruturas públicas continua a ser perfeitamente viável, revelando que a administração da Lusíadas já transmitiu ao Governo a sua total disponibilidade para abraçar novos desafios no setor.
Apesar da abertura para avaliar concursos lançados pelas ULS na gestão de cuidados primários, Vasco Antunes Pereira apontou falhas na clareza dos atuais procedimentos contratuais. Defendeu uma mudança de paradigma, sugerindo que a contratualização passe a medir o número de cidadãos com cuidados de saúde devidamente assegurados em tempo útil, em vez de se limitar à contagem estatística de consultas. O responsável alertou ainda para a falta de maturidade das ULS no que toca à fiscalização, exigindo um salto na capacidade de controlo do Estado para monitorizar estes modelos complexos.
O Governo deu luz verde em março de 2025 para o lançamento de novas PPP nos hospitais de Braga, Vila Franca de Xira, Loures, Amadora-Sintra e Garcia de Orta, aguardando-se ainda a conclusão dos respetivos cadernos de encargos e estudos de viabilidade. Sem preferências geográficas, a Lusíadas Saúde garante ter uma cobertura nacional capaz de responder a qualquer uma das localizações propostas pelo Executivo, desde que o racional de sustentabilidade esteja assegurado.