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Preços das habitações devem manter-se elevados e há alertas para riscos no crédito à habitação
DBRS prevê continuidade da pressão no mercado imobiliário português, com oferta limitada e procura sustentada a manter preços em alta.
Por Redação
Publicado em 01/06/2026 12:09
Economia
Foto:Direitos Reservados

Lisboa, 01 jun 2026 (Lusa) – Os preços das casas em Portugal deverão manter-se elevados nos próximos tempos, num contexto marcado por uma oferta ainda insuficiente e por uma procura que continua robusta, segundo uma análise da agência de notação financeira DBRS ao mercado de crédito à habitação.

A agência indica que vários fatores deverão contribuir para a manutenção da valorização dos imóveis, incluindo o baixo ritmo de construção nova, a estabilidade do mercado de trabalho e o ambiente económico relativamente favorável.

De acordo com a DBRS, o índice de preços da habitação registou uma subida homóloga de 18,9% no quarto trimestre de 2025, refletindo a persistência de uma forte pressão sobre o mercado imobiliário.

Apesar de alguma estabilização no número de transações em 2025, a agência considera que as limitações na acessibilidade e a escassez de oferta continuam a condicionar a dinâmica do setor.

Do lado da oferta, o aumento dos custos de construção tem sido um fator relevante, com uma subida de 4,7% em termos anuais registada em fevereiro de 2026, o que tem dificultado a aceleração de novos projetos habitacionais.

Embora existam sinais iniciais de recuperação na produção de habitação, a DBRS alerta que o desfasamento entre o licenciamento e a conclusão de obras indica que o desequilíbrio entre oferta e procura deverá manter-se no médio prazo.

A agência sublinha ainda que as medidas públicas de apoio à procura, como garantias no crédito à habitação, têm estimulado o acesso ao mercado, sobretudo por parte de compradores mais jovens.

No entanto, refere que as medidas do lado da oferta, como incentivos fiscais à construção, deverão demorar a produzir efeitos significativos na disponibilidade de habitação.

A DBRS prevê que o mercado imobiliário continue resiliente ao longo do ano, embora admita riscos de correção, especialmente num contexto de incerteza geopolítica e eventual pressão sobre as taxas de juro.

A agência alerta ainda que os créditos com garantia pública podem apresentar maior vulnerabilidade em termos de risco de crédito, sendo necessário um acompanhamento mais atento desse segmento.

 

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