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Mulheres africanas continuam a lutar por direitos conquistados pelo feminismo há décadas – ativista
Jornalista guineense alerta para desigualdades persistentes e defende feminismo ajustado às realidades do continente africano.
Por Redação
Publicado em 31/05/2026 11:06
International
@Lusa

Lisboa, 31 mai 2026 (Lusa) — A ativista e jornalista guineense Arthimiza Mendonça afirmou que muitas mulheres africanas continuam a lutar por direitos básicos que foram conquistados há décadas em países ocidentais, defendendo uma abordagem feminista mais adaptada às realidades sociais, económicas e culturais do continente africano.

Em entrevista telefónica à Lusa, a fundadora da revista “Pérola Afrikana” explicou que o projeto nasceu da necessidade de criar um espaço onde mulheres africanas e afrodescendentes possam contar as suas próprias histórias na primeira pessoa, sem intermediários.

Segundo Arthimiza Mendonça, a publicação pretende dar visibilidade às diferentes experiências femininas em África, valorizando contributos sociais, culturais e comunitários frequentemente pouco representados nos meios de comunicação.

A ativista sublinha que as mulheres africanas enfrentam um percurso histórico distinto das mulheres ocidentais, defendendo que ambas as realidades não podem ser comparadas sem ter em conta os contextos de origem.

Na conversa com a Lusa, recordou que, enquanto em alguns países as mulheres lutavam por igualdade de oportunidades no trabalho e nos salários, muitas mulheres africanas continuavam privadas de direitos básicos como acesso à educação, alimentação adequada e condições dignas de habitação.

Mendonça defende, por isso, um feminismo que respeite as especificidades de cada sociedade, afirmando que a luta pelos direitos das mulheres deve ter em conta as diferenças históricas e culturais.

A jornalista referiu ainda que a revista “Pérola Afrikana”, lançada em 2025 e posteriormente apresentada em Portugal, também procura reforçar a ligação da diáspora africana às suas raízes, sobretudo entre comunidades afastadas dos países de origem.

Alertou igualmente para a persistência de práticas de clareamento da pele em vários países africanos e na diáspora, fenómeno que considera preocupante e associado a questões de identidade e autoaceitação.

A ativista anunciou ainda o lançamento, em junho, da revista infantil “Winne”, que pretende promover a valorização das crianças africanas desde cedo e reforçar a autoestima cultural.

Arthimiza Mendonça deverá deslocar-se a Portugal na primeira semana de junho para participar nas comemorações do 13.º aniversário da Rede Sem Fronteiras, organização cultural internacional da qual é representante na Guiné-Bissau.

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