O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Almeida, reconheceu esta quarta-feira que, em janeiro, houve tempos excessivos de permanência de ambulâncias nas urgências de 14 hospitais, embora tenha negado a existência de falta de macas nas unidades hospitalares.
Ouvido na Comissão Parlamentar de Saúde, a pedido do Chega, no âmbito dos recentes atrasos no socorro do INEM, Álvaro Almeida explicou que os hospitais reforçaram o número de macas ao longo de 2024 e voltaram a fazê-lo em outubro de 2025, com a aquisição de cerca de uma centena de equipamentos, considerando assim ultrapassado um problema que existiu no passado.
O responsável admitiu, no entanto, que a ausência de falta de macas não impede que ocorram períodos de retenção prolongada das ambulâncias nas urgências. Na primeira semana de janeiro, altura em que se registaram vários casos críticos, foram identificadas 14 urgências, num total de 83, onde os tempos de espera ultrapassaram uma hora, chegando em alguns casos às duas horas.
Segundo Álvaro Almeida, estes atrasos resultam dos procedimentos obrigatórios à chegada ao hospital, como a admissão, a triagem e, em determinadas situações, a primeira observação médica, processos que impedem a saída imediata das equipas de socorro. Acrescentou ainda que há hospitais com limitações físicas, onde apenas é possível receber uma ambulância de cada vez, o que agrava a espera quando chegam vários meios em simultâneo.
Apesar das dificuldades, o diretor executivo sublinhou que os tempos de espera dos utentes nas urgências estão a diminuir. Entre 1 de outubro de 2025 e 31 de janeiro, o tempo entre a triagem e a primeira observação médica baixou 3% face ao período homólogo anterior, representando uma redução de 17% quando comparado com 2023/24.
Mesmo nos dias de maior pressão no início de janeiro, os tempos de espera foram inferiores aos registados em anos anteriores, indicou, defendendo que, embora não seja possível alterar estruturalmente as urgências a curto prazo, é possível continuar a melhorar a gestão e reduzir os tempos de resposta.
Fonte:JN / Foto:DR