Presidente do INEM alerta para dificuldades na refundação do instituto
Publicado em 03/02/2026 20:22 • Atualizado 03/02/2026 20:23
Saúde
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O presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) reconheceu esta terça-feira que o processo de refundação do organismo não será isento de dificuldades e poderá provocar alguns sobressaltos. A admissão foi feita por Luís Mendes Cabral durante uma audição na comissão parlamentar de Saúde, onde foi ouvido a pedido do PS e do Chega.

Segundo o responsável, a estrutura do INEM mantém-se praticamente inalterada desde a sua criação, em 1981, o que tem condicionado a capacidade de resposta do sistema de emergência pré-hospitalar. Luís Mendes Cabral comparou o processo de mudança a “trocar as rodas de um Ferrari em andamento”, sublinhando a complexidade da reforma que pretende levar a cabo.

O presidente do instituto defendeu a necessidade urgente de uma nova lei orgânica, já anunciada pelo Governo, considerando-a essencial para reorganizar o sistema e ultrapassar limitações estruturais. Entre os problemas identificados estão a falta de uma liderança clínica clara e modelos de funcionamento pouco centrados na direção clínica, tanto ao nível da gestão como da operação no terreno.

No âmbito da reorganização, o responsável anunciou que o socorro pré-hospitalar passará a assentar em três níveis bem definidos: suporte básico de vida, suporte imediato de vida e suporte avançado de vida, todos com protocolos de atuação claros e supervisionados por uma direção clínica.

Luís Mendes Cabral explicou ainda que aceitou a presidência do INEM com o objetivo explícito de promover esta refundação, referindo que não teria deixado o cargo que ocupava nos Açores se fosse apenas para manter o sistema tal como está. O médico apontou também atrasos tecnológicos significativos, como a ausência de geolocalização das ambulâncias, defendendo que a modernização tecnológica é uma peça-chave do processo de mudança.

A refundação do INEM surge após vários diagnósticos feitos por entidades externas e internas, que evidenciaram fragilidades no funcionamento do instituto e a necessidade de uma reforma profunda do sistema de emergência médica em Portugal.

Fonte:JN / Foto:INEM

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