Lisboa, 16 jul 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, apontou hoje a mira diretamente a Luís Montenegro, acusando-o de governar sob o efeito da propaganda partidária e de estar de costas voltadas para os problemas reais das populações.
Durante o aceso debate sobre o Estado da Nação, no Parlamento, o líder comunista criticou o isolamento crescente do Executivo de coligação (PSD/CDS-PP). Raimundo aproveitou o caos registado na correção digital dos exames nacionais para rotular a anunciada "reforma do Estado" como uma pressa atrapalhada, argumentando que as medidas do Governo servem apenas os interesses do grande patronato.
"O senhor primeiro-ministro vive na fantasia, alimenta-se da sua própria propaganda, e a realidade, senhor primeiro-ministro, vai-lhe rebentar nas mãos", avisou o secretário-geral do PCP. Raimundo lamentou ainda a postura do Partido Socialista, a quem acusou de dar "teimosamente a mão" a um Governo cujas linhas fundamentais, sustenta, contam também com o amparo do Chega e da Iniciativa Liberal. Para o líder do PCP, o verdadeiro roteiro desta governação passa por "arrasar os direitos dos trabalhadores" e "assaltar a Segurança Social".
Na resposta, Luís Montenegro não se deixou encurralar. Embora tenha admitido que as diferenças ideológicas entre o PSD e o PCP são historicamente inconciliáveis, o primeiro-ministro exigiu rigor na análise dos factos. Montenegro contra-atacou com uma lista de conquistas sociais e laborais alcançadas desde que assumiu o cargo, em 2024.
O chefe do Governo destacou que a sua administração já fechou 47 acordos sindicais, que permitiram rever 38 carreiras profissionais e abranger mais de 350 mil funcionários públicos. No plano financeiro, exibiu números de peso:
Aumento de 12,2% no salário mínimo nacional nos últimos dois anos.
Subida de 14,9% no salário líquido médio em Portugal no mesmo período.
Aumentos extraordinários nas pensões mais baixas e reduções consecutivas no IRS.
"Se o Partido Comunista acha que tudo isto ainda é pouco, eu compreendo. O senhor deputado tem toda a legitimidade democrática para pedir mais. Não pode é deixar de reconhecer que isto já são resultados de dois anos de Governo", rematou Montenegro, rejeitando a tese de paralisia social apresentada pela bancada comunista.