Bogotá, 06 jul 2026 (Lusa) – O Presidente cessante da Colômbia, Gustavo Petro, surpreendeu o país ao declarar que vai renunciar ao cargo mais cedo, a 20 de julho, recusando-se a participar na cerimónia tradicional de transição para o seu sucessor de direita, Abelardo de la Espriella. O líder de esquerda aproveitou o anúncio para convocar protestos em massa em todo o território nacional.
A transição formal de poder estava agendada para o dia 7 de agosto, a data limite do mandato de Petro. Contudo, o primeiro presidente assumidamente de esquerda na história colombiana revelou no domingo, através da rede social X, que prefere retirar-se antes. "Não o faremos nem a 06 nem a 07 de agosto, pois são datas trágicas. Fá-lo-emos a 20 de julho em todas as praças públicas da Colômbia", justificou Petro, apelando a um levantamento popular "para reivindicar a independência e a manutenção das reformas sociais". A data escolhida coincide com o dia da festa nacional e com a tomada de posse do novo Parlamento.
O clima político na Colômbia é de extrema tensão. Abelardo de la Espriella — um empresário milionário de 47 anos, com dupla nacionalidade colombiana e norte-americana e apoiado publicamente pelo Presidente dos EUA, Donald Trump — venceu à justa a segunda volta das presidenciais contra o candidato de esquerda Iván Cepeda. De la Espriella, que promete uma linha dura de cortes de 40% na despesa pública e incentivo ao setor privado, já ameaçou levar Petro e os seus aliados a tribunal em solo americano.
Em resposta, Petro recusa aceitar a derrota e prepara recursos judiciais para contestar o desfecho das urnas. Paralelamente, Iván Cepeda prometeu avançar para a "desobediência civil" caso o presidente eleito não abdique do passaporte dos EUA e não retire as ameaças de extradição contra o atual chefe de Estado.
Apesar de Petro abandonar o Palácio de Nariño sob o fogo de críticas devido à pior vaga de violência que a Colômbia enfrenta na última década, o líder da esquerda despede-se com índices de popularidade muito elevados, impulsionados por uma redução histórica nos números da pobreza e do desemprego no país.