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Ex-PM francês Édouard Philippe antecipa campanha para presidenciais de 2027
O antigo braço-direito de Macron quebra o silêncio em Paris perante 5 mil apoiantes, promete "mão firme" na imigração e avisa que o país tem de apertar o cinto face à dívida.
Por Redação
Publicado em 05/07/2026 18:04
International
@Lusa

Paris, 05 jul 2026 (Lusa) — O antigo primeiro-ministro francês Édouard Philippe oficializou este domingo a sua corrida ao Palácio do Eliseu para a primavera de 2027. Num grande comício em Paris, o político conservador apresentou-se como a solução para retirar a França do que classificou como uma "atoleiro financeiro", alertando para a urgência de reformas profundas na economia e na segurança do país.

Perante uma plateia de cerca de 5.000 pessoas, Philippe não poupou críticas à inércia política e colocou o foco na "dívida abissal" francesa, que no fecho do primeiro trimestre deste ano já escalava além dos 3,5 biliões de euros — o equivalente a asfixiantes 117,5% do PIB. "A verdade é que não tomamos decisões difíceis e estamos a deixar a conta para os nossos filhos", atirou o atual autarca de Le Havre, que liderou o governo de Emmanuel Macron entre 2017 e 2020. Para inverter o rumo, o candidato propõe um plano de austeridade que passa por cortar nas despesas sociais, exigir maior esforço contributivo aos pensionistas e congelar impostos sobre os trabalhadores.

O candidato assumiu ainda o compromisso de reativar a polémica reforma da segurança social, congelada desde janeiro, com o objetivo de fixar a idade mínima de reforma nos 64 anos (atualmente nos 62). Intitulando-se um "filho da classe média" que subiu na vida graças à escola pública, colocou a reestruturação do sistema de ensino — que considera estar "em crise" — como a prioridade absoluta do seu eventual mandato.

No campo da imigração, piscando o olho ao eleitorado de direita e respondendo à pressão da extrema-direita, Édouard Philippe defendeu a necessidade urgente de "pôr ordem nas fronteiras". A sua proposta inovadora prevê que o Parlamento francês defina anualmente quotas e uma lista de nacionalidades com direito a asilo. Embora tenha salvaguardado que a França continuará a precisar de atrair talentos estrangeiros, como estudantes e profissionais de saúde, o ex-primeiro-ministro avisou que a permanência em solo gaulês ficará estritamente condicionada ao respeito escrupuloso pelos valores e pela cultura da República.

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