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Eduardo Souto de Moura conquista hoje medalha de ouro da União Internacional dos Arquitetos
O prestigiado criador portuense é galardoado esta terça-feira na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, tornando-se o segundo português a alcançar a distinção máxima da profissão.
Por Redação
Publicado em 30/06/2026 08:17
Cultura
@Lusa

Barcelona, 30 jun 2026 (Lusa) – O arquiteto português Eduardo Souto de Moura vai ser distinguido esta terça-feira com a medalha de ouro da União Internacional dos Arquitetos (UIA), a mais alta condecoração da comunidade profissional global, que se reúne na Catalunha por ocasião do Congresso Mundial dos Arquitetos. O ponto central do encontro, que decorre em Barcelona até à próxima quinta-feira, terá como cenário a icónica Basílica da Sagrada Família, local escolhido para a entrega do prémio ao projetista nacional, cuja candidatura foi formalizada e promovida pela Ordem dos Arquitetos de Portugal. Com esta condecoração, Souto de Moura junta-se a Álvaro Siza Vieira como os únicos portugueses a figurar na restrita lista de laureados com este galardão trienal criado na década de 1980, partilhando o facto de ambos terem também no currículo o Prémio Pritzker, considerado o "Nobel" da disciplina.

As celebrações em solo espanhol estendem-se à jornada de quarta-feira, através de uma sessão de homenagem promovida conjuntamente pela Ordem dos Arquitetos, pela Casa da Arquitetura e pela representação diplomática portuguesa em Espanha. O programa arranca a meio da tarde com um painel de debate que contará com os contributos e reflexões de figuras do setor como Nuno Grande, Inês Lobo, Manuel Aires Mateus e Wilfried Wang, após as alocuções de abertura dos presidentes das organizações profissionais ibéricas, estando o encerramento institucional a cargo da secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa. O roteiro comemorativo culminará no espaço do Museu MOCO, focado em arte contemporânea, onde será inaugurada a exposição "Ucronia", uma instalação conceptual inspirada em desenhos inéditos de Souto de Moura datados dos anos 70, que recria cenários de monumentos imaginários através de linguagens digitais e audiovisuais com curadoria de Pedro Bandeira.

O certame internacional em Barcelona serve ainda de palco para o reconhecimento da produção teórica nacional, estando prevista a entrega de prémios pelo Comité Internacional de Críticos de Arquitetura a investigadores portugueses, nomeadamente André Tavares, Pedro Baía, Luís Santiago Baptista, Vítor Alves e Carlos Machado e Moura, pelos seus ensaios científicos. Nascido no Porto em 1952, Souto de Moura consolidou uma carreira de projeção internacional repleta de condecorações de topo, onde se incluem o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, o Prémio Wolf em Israel e o Prémio Pessoa. O seu portefólio edificado de referência abrange marcos como o Estádio Municipal de Braga, a Casa das Histórias Paula Rego em Cascais, a Torre Burgo em solo portuense e a reestruturação interior dos Armazéns do Chiado, na capital, além de parcerias internacionais assinadas ao lado de Siza Vieira, criador com quem deu os primeiros passos no atelier em 1981.

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