MENU
‘Stock’ de empréstimos para habitação tem em maio maior salto homólogo desde 2003 — BdP
Montante total do crédito da casa ultrapassa os 115 mil milhões de euros, acelerando ao ritmo mais rápido dos últimos 23 anos.
Por Redação
Publicado em 29/06/2026 15:31
Economia
@Lusa

Lisboa, 29 de junho de 2026 (Lusa) — O volume total de dinheiro emprestado pela banca para a compra de casa em Portugal registou em maio uma aceleração histórica. De acordo com os dados publicados hoje pelo Banco de Portugal (BdP), o saldo vivo (stock) destes créditos escalou para os 115.742 milhões de euros, o que representa um crescimento homólogo (face ao mesmo mês do ano anterior) de 10,8% — o ritmo de subida mais expressivo observado desde fevereiro de 2003.

Contas feitas, as famílias portuguesas estão a dever à banca mais 10.945 milhões de euros em crédito à habitação do que no mesmo período de 2025. Se a comparação for feita com o mês imediatamente anterior (abril), o aumento em cadeia foi de 1,150 milhões de euros.

Esta forte dinâmica no imobiliário acabou por arrastar o endividamento global dos particulares, que avançou 10,5% em termos anuais, fixando-se nos 150.817 milhões de euros. Dentro desta almofada, o crédito ao consumo e outros propósitos também manteve a rota ascendente, expandindo-se 9,2% em termos homólogos para atingir os 35.075 milhões de euros no final de maio.

No tecido empresarial, o panorama do financiamento revelou-se mais moderado. O saldo de empréstimos concedidos às empresas fixou-se em 76.184,2 milhões de euros, traduzindo um acréscimo homólogo de 5,5% — uma desaceleração face aos 6,2% registados em abril.

Esta evolução foi fortemente assimétrica consoante a dimensão do negócio:

Micro, pequenas e médias empresas (PME): Registaram subidas na procura de financiamento bancário (+12,3%, +7,2% e +0,4%, respetivamente);

Grandes empresas: Registaram uma contração, com a taxa de variação anual a cair para terreno negativo (-0,5%).

Por setores de atividade, a construção e o imobiliário viveram a sua primeira perda de fôlego anual desde dezembro de 2025, resvalando de 12,1% para 11,9%. Também o comércio, transportes e hotelaria abrandaram o ritmo de endividamento para os 4,6% (contra 5,8% em abril).

Do lado da poupança, os cidadãos continuam a colocar dinheiro nos bancos, embora a um ritmo ligeiramente menor. Os depósitos de particulares cresceram 398 milhões de euros numa base mensal, empurrando o saldo total para um recorde de 203.017 milhões de euros. Ainda assim, a taxa de variação homóloga destes depósitos recuou para os 4,6% (tinha sido de 4,9% em abril), dividindo-se o novo fluxo quase em partes iguais entre contas à ordem e aplicações a prazo. Nas empresas, as poupanças guardadas na banca residente somaram 79.095 milhões de euros, subindo 12,2% face ao ano passado.

Comentários