Madrid, 29 de junho de 2026 (Lusa) — O Governo espanhol reviu em alta as suas projeções macroeconómicas e estima agora que a economia do país cresça 2,6% no total deste ano. Este novo valor representa um salto de quatro décimas face à estimativa anterior, que estava congelada desde novembro de 2025.
O otimismo estende-se ao médio prazo. O ministro da Economia espanhol, Carlos Cuerpo, detalhou em conferência de imprensa que o Produto Interno Bruto (PIB) vizinho deverá avançar 2,2% em 2027 (mais uma décima do que o previsto) e manter uma rota sólida sempre acima da barreira dos 2% até ao ano de 2029.
Paralelamente, o executivo de Pedro Sánchez projeta que a taxa de desemprego — tradicionalmente uma das mais fustigadas do espaço comunitário — estabilize abaixo dos 10% já no encerramento de 2026, fixando-se nos 9,9% para depois iniciar uma trajetória descendente contínua até atingir os 8,5% em 2029. O indicador tinha fechado o ano passado nos 9,93%, mas sofreu um recuo para os 10,83% no primeiro trimestre deste ano.
Esta revisão em alta serve de alicerce ao novo quadro macroeconómico aprovado hoje em Conselho de Ministros extraordinário. O documento servirá para desenhar a proposta de Orçamento do Estado para 2027, que o executivo socialista pretende submeter ao parlamento. Trata-se de um passo político decisivo: devido à falta de maiorias e à necessidade de negociar com uma "geringonça" de várias forças políticas, o atual Governo ainda não tinha conseguido apresentar nenhum projeto orçamental nesta legislatura, que termina precisamente em 2027.
Segundo o Ministério da Economia espanhol, a aceleração da atividade apoia-se em três pilares fundamentais:
A desescalada do conflito militar no Irão;
A eficácia das medidas de resposta desenhadas por Madrid;
O forte dinamismo do consumo privado e do investimento interno.
Com estas novas metas, Madrid assume uma postura marcadamente mais otimista do que os principais reguladores internacionais. A título de exemplo, a OCDE aponta para um crescimento espanhol de 2,2% este ano, o Banco de Espanha estima 2,3% e o Fundo Monetário Internacional (FMI) fixa-se nos 2,1%. Ainda assim, o país vizinho continua a registar ritmos de progressão bem acima da média da Zona Euro (1,5%) e da União Europeia (1,6%), dados de referência do fecho do ano transato.