Porto, 28 de junho de 2026 (Lusa) — António Jorge Gonçalves foi o grande vencedor do Prémio Carreira na edição de estreia do Prémio Nacional de Banda Desenhada, uma distinção criada para impulsionar a produção literária e artística de autores portugueses. O anúncio oficial do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto (MCJD) detalhou que o concurso contou com um total de 45 projetos candidatos, repartidos pelas três categorias oficiais da iniciativa.
A escolha de António Jorge Gonçalves para o prémio principal baseou-se no seu percurso "permanentemente inovativo e eclética", elogiando o facto de o artista nunca ter estagnado num estilo visual fixo. O painel de jurados — constituído por Sara Figueiredo Costa, Pedro Cleto e Sara Ludovico — colocou em evidência a constante pesquisa e "trabalho experimental do autor com cores, materiais e linguagens narrativas", bem como a sua reflexão contínua sobre as fronteiras artísticas da banda desenhada.
No segmento de "Obra do Ano", o júri premiou o livro Dormindo entre Cadáveres, assinado por Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci. Publicada com a chancela da editora Zigurate, a narrativa foi enaltecida por constituir um retrato analítico e pessoal sobre o impacto da crise sanitária da Covid-19 em território brasileiro, com enfoque particular na realidade vivida na Amazónia.
O Prémio Inovação em Banda Desenhada foi parar às mãos dos criadores Ana Matilde Sousa, Ana Simões, André Nóvoa e Hugo Soares, graças ao projeto Rumo ao Eclipse, editado pela Chili Com Carne. Segundo a avaliação técnica, a obra destaca-se por cruzar a banda desenhada com a mecânica dos jogos de role-play, alargando o potencial criativo do formato sem perder a sua essência.
A ministra Margarida Balseiro Lopes fez questão de assinalar que os vencedores espelham a vitalidade e a excelência da BD contemporânea em Portugal. O prémio serve, nas palavras da governante, para dar maior projeção ao ecossistema cultural do país, tanto a nível interno como nos mercados internacionais.
Cada uma das categorias a concurso acarreta uma compensação financeira fixada em 10 mil euros. No caso específico dos autores de Obra do Ano, está ainda contemplado um bónus financeiro de 1.500 euros com o intuito de subsidiar a presença dos criadores no Festival de Angoulême, em França. A cerimónia oficial de entrega dos galardões está agendada para o próximo dia 18 de outubro, coincidindo com o Dia Nacional da Banda Desenhada Portuguesa, e terá lugar no recinto do Amadora BD.