Praia, 28 de junho de 2026 (Lusa) — O Centro Cultural Português em Cabo Verde registou uma enchente na passada quinta-feira para assistir à estreia absoluta de Helber Passos, um jovem pianista de apenas 11 anos que está a ser apontado como a nova promessa musical do arquipélago.
"Toco piano desde os 5 anos. O meu pai comprou-me um teclado pequeno e eu vi vídeos no YouTube até aprender", partilhou o jovem músico em declarações à Lusa. Aluno da prestigiada escola de música Pentagrama, Helber confessa que a música surgiu de forma natural na sua vida e traz-lhe um sentimento de paz: "Quando toco, sinto-me alegre e calmo."
O talento invulgar foi detetado cedo pela família. O pai, Emmanuel Passos, recorda com vaidade o momento em que o filho, ainda muito pequeno, conseguiu replicar de ouvido todas as 15 melodias integradas num brinquedo que recebeu no Natal. "Percebemos que precisava de acompanhamento", explicou, sublinhando que Helber é o pioneiro das artes numa família sem tradição musical. "É um orgulho enorme vê-lo a tocar, mas o mais importante é que ele seja feliz."
A lapidação deste talento tem estado a cargo de Tó Tavares, guitarrista, compositor e fundador da escola Pentagrama, instituição que desde 1991 molda a cultura cabo-verdiana. "Há pessoas que nascem para isto. O Helber nasceu pianista, eu estou apenas a orientá-lo", elogiou o professor. A Pentagrama, que conta atualmente com cerca de 100 estudantes de várias vertentes instrumentais, carrega no currículo a formação de referências internacionais como Mayra Andrade e Djodje.
O recital de estreia comoveu os presentes na sala. Filomena Vaz, uma das espectadoras, confessou ter ficado "perplexa" e "muito emocionada" com a capacidade do menino em tocar a alma do público. Na plateia, António Barreto, melómano assumido, classificou a destreza de Helber como "impressionante" e apelou a que outros pais apoiem os impulsos artísticos dos filhos.
Apesar do sucesso, o jovem pianista mantém os pés na terra e reconhece com maturidade as suas dificuldades técnicas. "As sequências mais rápidas continuam a ser o maior desafio. Às vezes não chego à nota certa, mas vou-me habituando", aponta Helber, que já executa vários reportórios complexos sem recorrer a pautas. Fora dos palcos, divide as atenções com o futebol, o karaté e passatempos de lógica como o xadrez e o cubo mágico, deixando um conselho inspirador para a sua geração: "Não desistam dos vossos sonhos e não tenham vergonha."