Anadia, Aveiro, 20 de junho de 2026 (Lusa) — O ministro da Presidência apontou o Chega como o protagonista de “um dos mais chocantes momentos da política portuguesa”, criticando a força política por chumbar as propostas laborais do Governo. Na ótica do governante, André Ventura conseguiu a proeza de fazer o secretário-geral da CGTP “chorar de alegria”.
António Leitão Amaro discursava no 43.º Congresso Nacional do PSD, em Anadia, onde aproveitou também para visar o PS. O ministro acusou os socialistas de tentarem “fazer sofrer o Governo” devido aos problemas herdados de quase uma década de governação socialista, avisando que, na verdade, “quem sofre são os portugueses”. Perante o atual cenário parlamentar, apelou à paciência dos militantes, lembrando que as reformas estruturais exigem tempo e resiliência para que os frutos fiquem à vista.
Contudo, as declarações mais duras foram reservadas para o partido de André Ventura. Leitão Amaro classificou como inacreditável o facto de um sentido de voto do Chega ter provocado lágrimas de contentamento no líder sindicalista comunista, Tiago Oliveira, que assistia à sessão nas bancadas da Assembleia da República.
O ministro da Presidência dirigiu ainda um aviso severo às novas gerações. “Cada vez que no TikTok virem André Ventura a dançar, ele é o homem que vos está a tramar”, alertou, explicando que o recado deixado pelo líder do Chega ao país foi o de que, para viabilizar as leis do Governo, seria necessário cortar nas futuras reformas dos jovens e que, ao chumbar o pacote laboral, impediu a subida dos salários desta faixa etária. Com isto, Leitão Amaro rotulou Ventura de “travão ao progresso” e inimigo dos mais jovens.
De seguida, o governante pediu firmeza a Luís Montenegro e a todo o Executivo para aguentarem a onda de ataques, falsidades e intrigas de cariz pessoal. Lembrou que figuras históricas do partido, como Francisco Sá Carneiro, Aníbal Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho, enfrentaram exatamente o mesmo tipo de perseguição e resistiram.
A fechar a sua intervenção, o ministro da Presidência abordou o dossiê da imigração — área que está sob a sua alçada —, lamentando que a atuação do Executivo seja apelidada de “fascista” por um lado e de “frouxa” pelo outro. Leitão Amaro defendeu que o Governo soube agir a tempo para evitar o clima de fratura e discórdia social visível noutros países da Europa, rejeitando tanto a política de “portas escancaradas” da esquerda como a falta de humanismo da extrema-direita, que parece esquecer os direitos humanos com base na nacionalidade ou na cor da pele.