Anadia, Aveiro, 20 de junho de 2026 (Lusa) — A ministra da Saúde assumiu este sábado ser a governante com menor taxa de popularidade dentro do Executivo, tendo em conta as análises dos meios de comunicação social. Contudo, defendeu que não confunde aceitação pública com sentido de dever e assegurou que a sua liderança não é guiada por sondagens.
O discurso de Ana Paula Martins, proferido no decurso do congresso nacional do PSD em Anadia, no distrito de Aveiro, mereceu um forte aplauso de pé por parte dos delegados sociais-democratas. O mesmo cenário de apoio já se tinha verificado pouco antes, durante a intervenção da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho.
Numa intervenção focada na urgência de implementar transformações no setor da Saúde — onde reivindicou progressos em determinados indicadores —, Ana Paula Martins surpreendeu a moldura humana do congresso ao abordar diretamente o seu atual estatuto político no Executivo da AD.
"Enquanto Governo, sabemos o que precisamos de fazer na saúde e eu, pessoalmente, tenho a consciência de que, segundo a comunicação social, sou a ministra menos popular deste Governo. Mas sempre assumi que governar não implica ser popular, implica ser responsável", atestou, colhendo de imediato o aplauso generalizado da sala.
A responsável pela pasta da Saúde sublinhou que aceita as críticas com humildade, mas reforçou que não trabalha em função de "barómetros para agradar a quem comenta no espaço público". Garantiu ainda o seu compromisso em cumprir o programa do Executivo sob a liderança que classificou como corajosa, solidária e confiante de Luís Montenegro.
A antiga cabeça de lista da AD pelo círculo eleitoral de Vila Real deixou também o aviso de que o Ministério da Saúde irá combater a fraude, a inércia e os privilégios consolidados de várias ordens (política, corporativa ou empresarial), assegurando que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) será entregue no final do mandato em muito melhor estado do que aquele em que foi encontrado.
Para justificar a aparente falta de impacto de algumas medidas, como o recrutamento de mais clínicos de família, a ministra evocou as pressões demográficas causadas por fluxos migratórios sem regulação, bem como a atuação de redes ilegais organizadas. Segundo a governante, este aumento súbito da procura dilui a perceção pública do esforço governativo, embora o reforço de profissionais de saúde seja real e vá continuar.
Antes de Ana Paula Martins subir ao palanque, o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, António Rodrigues, tinha usado da palavra para elogiar o trabalho das polícias e dos bombeiros. No seu discurso, o deputado defendeu igualmente um controlo rigoroso da imigração, alertando que a falta de fiscalização fomenta a criminalidade e acaba por penalizar os próprios migrantes. Rodrigues aproveitou ainda o momento para enaltecer a liderança de Hugo Soares à frente do grupo parlamentar social-democrata.