Lisboa, 19 de junho de 2026 (Lusa) — A Iniciativa Liberal (IL) e o CDS-PP lançaram duras críticas ao Chega, classificando a força política liderada por André Ventura como um entrave à evolução do país e um símbolo da estagnação, após o partido ter unido forças com a esquerda para rejeitar as alterações à legislação laboral.
A líder parlamentar da IL assumiu o descontentamento nos corredores da Assembleia da República. Para Mariana Leitão, o desfecho da votação provou que o Chega atua apenas como "uma força de bloqueio" que impede o debate e a modernização de Portugal. A deputada liberal criticou o "taticismo eleitoral" das bancadas que chumbaram o documento, acusando-as de terem desistido de transformar o país. Mariana Leitão prometeu não baixar os braços na luta pelas reformas, defendendo que a proposta em causa traria a flexibilidade necessária ao mercado de trabalho, salvaguardando em simultâneo a segurança dos profissionais. Sem esta reestruturação, alertou, Portugal continuará refém de ordenados baixos, baixa produtividade e da fuga de jovens para o estrangeiro.
Na mesma linha, o líder da bancada centrista apontou o dedo ao Chega por ter preferido alinhar-se com "o PCP, a CGTP e o imobilismo". Paulo Núncio lamentou que, nos momentos cruciais, o partido de Ventura acabe sempre por votar ao lado da esquerda por puro "medo da opinião pública" e "das redes sociais", demonstrando falta de audácia para apoiar reformas estruturais. Segundo o dirigente do CDS-PP, este episódio demonstra que apenas a visão da Aliança Democrática (AD) tem capacidade para fazer o país progredir.
A proposta de revisão laboral apresentada pelo Executivo acabou chumbada na generalidade graças aos votos contra em bloco do Chega, PS, Bloco de Esquerda, PCP, Livre, PAN e JPP, após o colapso das negociações entre o partido de André Ventura e o PSD. A favor da lei votaram apenas as bancadas do Governo (PSD e CDS-PP) e a IL.
O chumbo foi celebrado com uma demorada salva de palmas por parte de toda a esquerda e também de quem assistia nas galerias — onde se encontrava, visivelmente comovido, o líder da CGTP, Tiago Oliveira. A euforia mereceu uma reprimenda do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que recordou que as manifestações nas galerias violam as regras regimentais do Parlamento.