Bruxelas, 19 de junho de 2026 (Lusa) — O chefe do Executivo, Luís Montenegro, manifestou o seu descontentamento por ter descoberto através da comunicação social que a sua habitação era um dos alvos do grupo de extrema-direita Movimento Armilar Lusitano (MAL). O Primeiro-Ministro sublinhou o facto de não ter recebido qualquer alerta ou contacto prévio por parte das forças de segurança.
À margem da reunião do Conselho Europeu na capital belga, Montenegro assumiu o total espanto com que recebeu a informação na quinta-feira, numa altura em que se encontrava em reuniões de trabalho e incomunicável. Para o governante, é inaceitável que uma situação que ameaça diretamente a integridade física de um cidadão — e, neste caso específico, do Primeiro-Ministro e dos seus familiares — não seja comunicada de imediato aos próprios envolvidos.
O Primeiro-Ministro partilhou ainda o impacto pessoal do sucedido, classificando como "extremamente delicado" o facto de a sua esposa e filhos terem confrontado o perigo através das notícias, sem sequer conseguirem falar com ele no momento. Montenegro fez questão de frisar que este tipo de falha institucional não devia acontecer com nenhum cidadão português.
O caso veio a público após ser conhecida a acusação do Ministério Público contra nove indivíduos ligados ao grupo radical MAL, suspeitos de crimes de terrorismo. Entre os arguidos encontra-se um chefe da PSP, atualmente destacado na Polícia Municipal de Lisboa. O grupo é acusado de planear atentados contra várias figuras do panorama político, forças partidárias, profissionais da comunicação social e investigadores universitários.