Bruxelas, 19 de junho de 2026 (Lusa) — O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, garantiu esta sexta-feira que o Executivo "não vai desistir" de criar as bases regulamentares para colocar Portugal numa rota de maior competitividade e produtividade. Em conferência de imprensa na capital belga, após a cimeira de líderes da União Europeia, o chefe do Governo reagiu ao chumbo do pacote laboral na Assembleia da República e assegurou que as metas estratégicas da proposta vão continuar "intactas nas políticas" da sua governação.
Luís Montenegro lamentou profundamente o desfecho da votação no Parlamento, criticando o facto de o "sentido estratégico e de futuro" não ter encontrado eco na oposição. O Primeiro-Ministro apontou baterias aos blocos políticos da esquerda e da direita, acusando "os dois extremos do espetro político português" de se terem aliado para derrubar o diploma, recorrendo, segundo o próprio, "praticamente" aos mesmos fundamentos.
Relativamente aos bastidores que antecederam a votação, o líder do Executivo confirmou que existiu um processo de negociação "profundo" e "sério" com a bancada do Chega. Montenegro revelou que, na esmagadora maioria dos pontos em discussão, a convergência entre o PSD e o partido de André Ventura parecia fácil de concretizar. Contudo, o entendimento ruiu perante uma exigência de última hora colocada pelo Chega.
"Uma condição foi imposta por esse partido para viabilizar o global das alterações que foram propostas: era mexer na sustentabilidade da Segurança Social e na possibilidade, não fundamentada, de alterar a idade da reforma", detalhou o Primeiro-Ministro, justificando o porquê de o Governo ter batido o pé. "Para o Governo, e para mim próprio, as pensões são sagradas e jamais tomarei qualquer medida que possa prejudicar no futuro o pagamento das pensões", sentenciou de forma peremptória.
Na tentativa de salvar o acordo e evitar o chumbo da reforma, o Executivo terá proposto a criação de uma comissão eventual no Parlamento para estudar aprofundadamente e com rigor o impacto financeiro de uma eventual alteração na idade da reforma. Porém, o Chega registró a proposta de adiar a decisão. O diploma acabou por cair na generalidade com os votos contra do PS, Chega, Bloco de Esquerda, PCP, Livre, PAN e JPP, recolhendo apenas a luz verde dos partidos da coligação governamental (PSD e CDS-PP) e da Iniciativa Liberal.