Lisboa, 19 de junho de 2026 (Lusa) — O investimento dos portugueses em certificados de aforro (CA) voltou a aumentar no mês de maio, acumulando a 20.ª subida mensal consecutiva. Segundo os dados oficiais publicados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal (BdP), o montante total aplicado neste instrumento financeiro fixou-se nos 42.447 milhões de euros, o que traduz um crescimento de 13,2% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Este desempenho representa o valor mais elevado de que há registo desde que o banco central iniciou a contabilização desta série estatística, em dezembro de 1998. Em termos práticos, o ritmo de poupança acelerou face aos 12,6% registados em abril, significando que, no final de maio, os aforradores tinham mais 756 milhões de euros em CA do que no mês anterior e mais 4.949 milhões de euros do que em maio de 2025.
O apetite por este produto de dívida pública tinha arrefecido temporariamente em junho do ano passado, quando a antiga 'série E' foi descontinuada e substituída pela 'série F', que apresenta uma remuneração menos atrativa. Contudo, a tendência de estabilização nas Euribor e a procura por produtos de capital garantido voltaram a impulsionar as subscrições.
Este forte fluxo de capital para os certificados de aforro acabou por mitigar o desinvestimento acentuado que se faz sentir nos certificados do tesouro (CT). Em maio, o saldo dos CT recuou para os 6.751 milhões de euros — o nível mais baixo desde a primavera de 2015 —, sofrendo um tombo homólogo de 24,8%. De acordo com o IGCP, em abril, os resgates em certificados do tesouro (207 milhões de euros) superaram largamente as novas emissões (13 milhões de euros).
Numa análise histórica mais alargada, os dados do BdP recordam que o mínimo absoluto de investimento em CA ocorreu em novembro de 2012, em plena crise financeira e sob a intervenção da 'troika', com o saldo a quedar-se pelos 9,7 mil milhões de euros.
A nível global, a dívida direta do Estado português registou um acréscimo homólogo de 3,8% no mês de maio, situando-se agora nos 316.651 milhões de euros. No que toca a outros títulos de financiamento público, as obrigações do tesouro (OT) avançaram 3,2% para os 182.905 milhões de euros, ao passo que os bilhetes do tesouro (BT) deram um salto de 35,9%, fixando-se nos 14.422 milhões de euros.