Roma, 17 jun 2026 (Lusa) — O Papa Leão XIV posicionou-se firmemente contra o conceito de "remigração" — uma bandeira política defendida por diversas forças da extrema-direita em Itália, com especial destaque para o recém-criado partido Futuro Nacional. O líder da Igreja Católica defendeu publicamente que esta abordagem não encontra qualquer tipo de sustentabilidade ou paralelismo com os valores e ensinamentos do cristianismo.
Em declarações prestadas aos jornalistas na passada terça-feira, junto à sua residência em Castel Gandalf, o Sumo Pontífice lamentou a falta de sensibilidade social perante o drama de quem emigra. O Papa recordou que as pessoas não abandonam as suas pátrias por capricho, mas sim empurradas por cenários desesperantes como a violência, a guerra e os conflitos armados. Para Leão XIV, a ideia de simplesmente expulsar os migrantes para afastar o problema do território italiano equivale a "lavar as mãos", algo que recusa classificar como uma atitude cristã. Na sua intervenção, reforçou a urgência de avaliar cada situação individualmente e, acima de tudo, exortou a sociedade a tratar os migrantes com a dignidade que qualquer ser humano merece.
O debate em torno deste tema chega ao parlamento após uma vaga de protestos nas ruas de Roma, onde no último sábado se reuniram dezenas de milhares de manifestantes em marchas rivais, divididos entre o apoio e o repúdio às políticas de imigração. A tensão cresceu depois de uma petição popular da direita radical, batizada de "Remigração e Reconquista", ter conseguido reunir as 50 mil assinaturas exigidas para forçar a discussão da matéria na assembleia. Embora a data para a votação ainda não tenha sido agendada, o documento conseguiu empurrar para o centro da agenda política um conceito que, até há pouco tempo, era considerado marginal.
O texto da proposta sugere a aplicação de um conjunto de medidas severas destinadas à população estrangeira, incluindo o repatriamento forçado e a criação de apoios financeiros para incentivar a saída de cidadãos de solo italiano. Vários críticos e opositores da medida já vieram a público alertar que o teor deste projeto legislativo é de tal forma abrangente que poderá acabar por afetar também os direitos de cidadãos estrangeiros que residem de forma inteiramente legal no país.