Pequim, 17 jun 2026 (Lusa) — O governo da China anunciou esta quarta-feira o envio de um novo pacote de assistência humanitária direcionado ao Irão e ao Líbano. Esta medida surge com o propósito de impulsionar os exigentes trabalhos de reabilitação e reconstrução nestes países, fortemente fustigados pela crise humanitária que resultou dos recentes confrontos armados envolvendo os Estados Unidos, Israel e as forças iranianas.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim, Lin Jian, manifestou publicamente a apreensão das autoridades chinesas face ao impacto socioeconómico severo que a guerra causou no seio das populações daquela região.
De acordo com o diplomata, o envio desta ajuda visa responder diretamente às carências mais urgentes no terreno, garantindo um suporte essencial para restabelecer o tecido social e económico de ambas as nações. Lin Jian aproveitou ainda a ocasião para reforçar o compromisso diplomático da China em atuar como um agente mediador, prometendo continuar a investir em canais de diálogo que conduzam à pacificação e à estabilidade duradoura no Médio Oriente.
Este anúncio por parte do executivo chinês coincide com um período de forte volatilidade no terreno. No passado domingo, os governos de Washington e de Teerão revelaram ter alcançado uma plataforma de entendimento para colocar um ponto final em mais de três meses de intensos combates na região. Contudo, a liderança militar iraniana veio hoje denunciar que Israel continua a avançar com manobras militares dentro das fronteiras libanesas.
Para os comandantes das Forças Armadas do Irão, as incursões israelitas em curso estão a causar novos óbitos no Líbano e põem em causa as promessas de tréguas assumidas pelas duas potências internacionais.
Importa recordar que, ao longo de todo este processo de escalada, a diplomacia de Pequim manteve uma postura crítica face às ofensivas norte-americanas e israelitas contra alvos iranianos. Ainda assim, a potência asiática tem vindo a insistir na salvaguarda da soberania territorial e da segurança dos Estados do Golfo Pérsico, parceiros com os quais mantém uma forte dependência e laços históricos no plano comercial, político e, acima de tudo, no setor da energia.