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Seguro cita Carney sobre potências médias e defende “comunidade atlântica alargada”
O Presidente da República apelou a uma parceria renovada e sem subserviência com os EUA, sublinhando que a visão europeia para o Atlântico deve incluir o Canadá, a América Latina e a África.
Por Redação
Publicado em 16/06/2026 14:18
Nacional
@Lusa

Lisboa, 16 jun 2026 (Lusa) — O Presidente da República, António José Seguro, defendeu hoje em Lisboa a urgência de erguer uma “comunidade atlântica ampla” fundada em valores comuns, que saiba olhar para além dos Estados Unidos e estabeleça pontes eficazes com o Canadá, a América Latina e o continente africano. No plano das relações transatlânticas, o chefe de Estado preconizou ainda a necessidade de desenhar uma “parceria renovada com os Estados Unidos”.

A tomada de posição ocorreu no discurso de abertura de uma conferência que assinala o segundo aniversário do canal Now. Na sua intervenção, Seguro dirigiu críticas implícitas a Washington e a Moscovo ao visar as “superpotências que querem ser países-império”. Para ilustrar o regresso da era do hard power e das lógicas imperiais, o Presidente elencou vários episódios internacionais, destacando as ameaças latentes à soberania da Gronelândia, as disputas pelo controlo do canal do Panamá, a intervenção militar na Venezuela, a invasão russa da Ucrânia e a progressiva militarização de ilhas artificiais no Mar do Sul da China. Sumarizou ainda esta tendência com exemplos que vão desde os ciberataques e frotas fantasma até à corrida ao espaço pela posse de recursos.

Como contraponto a esta fragmentação global, António José Seguro destacou os contributos intelectuais da encíclica “Magnifica Humanitas”, do Papa Leão XIV, e as reflexões em Davos do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, sobre as potências médias. Ao citar a máxima de Carney — “o poder dos menos poderosos começa com a honestidade” —, o governante apontou-a como o rumo exato onde a Europa e Portugal se devem posicionar na geopolítica atual.

Neste enquadramento de instabilidade global, o chefe de Estado reforçou que a autonomia estratégica do Velho Continente é “uma condição de sobrevivência” que não se pode esgotar numa frase de circunstância. Segundo Seguro, esta soberania exige respostas robustas na independência tecnológica e energética, bem como o desenho de uma defesa comum dotada de recursos adequados.

Relativamente ao vínculo com a administração norte-americana, o Presidente defendeu uma convivência assente no respeito mútuo, na lealdade e na reciprocidade, vincando que os compromissos devem ser firmados entre iguais, repudiando cenários tanto de subserviência como de rutura. Por fim, Seguro sustentou que o alargamento da visão sobre o Atlântico constitui uma das maiores oportunidades do presente e garantiu que Portugal, beneficiando da sua herança histórica, da língua e do posicionamento geográfico, detém todas as condições para ser o elemento aglutinador dessa nova rede de cooperação internacional.

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