Marinha Grande, Leiria, 16 jun 2026 (Lusa) – O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, lançou hoje críticas ao Chega, acusando o partido de encenar um processo negocial com o Governo em torno da revisão da legislação laboral e de tentar aplicar um "embuste" no sistema de pensões. No encerramento das jornadas parlamentares dos comunistas, na Marinha Grande, o dirigente avisou que, mesmo numa eventual aprovação do documento na Assembleia da República, a força dos trabalhadores continuará mobilizada nas ruas para derrotar as medidas.
Questionado sobre a aproximação e os encontros bilaterais entre o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, e o líder do Chega, André Ventura, para discutir o pacote do trabalho, Raimundo desvalorizou as movimentações, apelidando-as de "uma brutal encenação".
O líder comunista argumentou que, para lá da espuma dos dias e das tiradas mediáticas, a intenção do Chega de reduzir as reformas de valor mais elevado esconde, na verdade, o "plafonamento da Segurança Social". Esta medida, segundo o PCP, constitui uma "hipocrisia em nome dos reformados", uma vez que abriria as portas a que os salários mais altos descontassem menos para o modelo público, canalizando essa margem financeira para fundos privados. Num tom irónico, Paulo Raimundo considerou que tal cenário não assusta o Governo: "O que é que o primeiro-ministro faz? Fica assustado? (...) Ou dá-lhe dois abraços e abrem uma garrafa de champanhe os dois?".
Sem dar como garantido o voto a favor do Chega na votação que se avizinha, o secretário-geral do PCP foi taxativo ao afirmar que, "aconteça o que acontecer", o conjunto de medidas laborais conta com a rejeição inequívoca de quem trabalha. Diferenciando-se de outras forças da ala esquerda do parlamento, o PCP adiantou que não irá submeter propostas de alteração ao diploma da autoria do executivo.
Paulo Raimundo sublinhou que o debate e a votação na generalidade, agendados para esta semana, vão obrigar cada bancada a assumir se está do lado dos trabalhadores — confrontados com a precariedade e a perda de poder de compra — ou se escolhe viabilizar um projeto que "não tem uma única medida" que solucione os problemas reais do emprego em Portugal. Para os comunistas, a rejeição institucional através do voto contra é a única resposta coerente.
A fechar, o dirigente alertou os restantes partidos para o risco de se recorrer a um expediente de contorno semelhante ao usado na Prestação Social Única (PSU), que consistiria em enviar o texto do Governo para a comissão de especialidade sem que houvesse uma votação prévia. Raimundo classificou essa possibilidade como "um golpe" parlamentar, avisando que qualquer partido que patrocine esse desfecho estará, de forma indireta, a facilitar a progressão da lei laboral, algo de que os trabalhadores "saberão tirar as conclusões".