Lisboa, 12 jun 2026 (Lusa) — O antigo secretário-geral do PS Ferro Rodrigues apelou hoje ao partido para não viabilizar a proposta do Orçamento do Estado para 2027, alegando que existe uma “clara” aproximação política entre o PSD e o Chega.
Em declarações à Lusa, o antigo dirigente socialista afirmou que os recentes episódios parlamentares demonstram uma convergência entre os dois partidos, referindo-se ao debate sobre a prestação social única e à falhada eleição da candidata do PS para provedora de Justiça.
Ferro Rodrigues considerou que a não eleição de Luísa Neto representou uma “atitude traiçoeira” por parte do PSD, apesar de a candidata ter obtido 131 votos, sem alcançar a maioria qualificada necessária.
Perante este cenário, defendeu que o PS deve rever a sua postura em relação à governação, sublinhando que o partido não deve contribuir para o fortalecimento dessa suposta aliança entre social-democratas e Chega.
O antigo presidente da Assembleia da República defendeu ainda que deve ficar claro no plano político “quem governa o país”, acusando o PSD de depender de entendimentos com a direita mais radical.
Em relação ao processo legislativo da prestação social única, o diploma baixou à especialidade sem votação na generalidade, após acordo político que envolveu PSD e Chega, com abstenções e votos contra de vários partidos da oposição.
O processo legislativo prossegue agora em comissão parlamentar, onde será discutido durante os próximos dias.