Maputo, 08 jun 2026 (Lusa) — O setor da pesca e da aquacultura em Moçambique registou um ritmo de crescimento praticamente nulo no primeiro trimestre do ano. De acordo com o relatório oficial da execução orçamental, o volume de produção fixou-se nas 108.992 toneladas entre janeiro e março, um valor que representa somente 20% da meta global estipulada pelo Executivo até ao final do ano. Este desempenho traduz uma subida ligeira de cerca de 1% face às 107.901 toneladas contabilizadas em igual período do ano anterior, longe da meta final de alcançar 548.533 toneladas até ao próximo mês de dezembro.
O segmento da pesca industrial e semi-industrial foi o que registou maior quebra, totalizando 2.093 toneladas de pescado. O indicador reflete um recuo homólogo de 36% e cumpre meramente 8% do plano anual. O relatório justifica estes resultados com problemas burocráticos e operacionais, apontando a falta de licenciamento e a inatividade de toda a frota nacional de atum, da frota de kapenta (sardinha de água doce) e de uma parte das embarcações destinadas aos crustáceos de profundidade.
Nas espécies capturadas por estes subsetores comerciais, o balanço trimestral apresenta dinâmicas distintas. A apanha de lagosta sofreu uma queda acentuada de 65%, passando de 35 para 12 toneladas, enquanto a produção de camarão registou uma evolução positiva de 12%, subindo para as 386 toneladas. O peixe em geral mostrou o maior crescimento estatístico do período, disparando 136% para atingir as 790 toneladas.
Por sua vez, a pesca artesanal, que assegura o maior volume de captura no país, avançou 2% em termos homólogos e contribuiu com 105.204 toneladas para o bolo total, atingindo 21% da meta anual. No subsetor da aquacultura, desenvolvido tanto a nível industrial como em pequena escala, a produção fixou-se nas 1.694 toneladas, progredindo 19% face ao ano transato, embora este número represente apenas 16% do objetivo anual estabelecido em 10.643 toneladas.
As dificuldades no arranque de 2026 somam-se a um cenário de quebra no comércio externo que já se vinha a verificar. Em 2025, as restrições alfandegárias e de mercado fizeram com que as exportações de pescado caíssem 18%, situando-se nas 8.005 toneladas. O Executivo esclarece que as vendas para o exterior foram fortemente penalizadas pelo bloqueio à entrada de lagosta viva no mercado chinês, além de entraves na colocação de camarão, peixe e cefalópodes nos canais habituais de distribuição na Ásia e Europa.
Em termos financeiros, o encaixe das exportações no ano passado recuou 20%, gerando 46,5 milhões de dólares (cerca de 40,5 milhões de euros). O camarão continuou a ser o principal motor financeiro do setor, garantindo 16,3 milhões de dólares apesar de uma quebra anual de 17% no seu volume de vendas. A nível ambiental, as alterações climáticas também deixaram marcas na produção nacional, com o baixo caudal do rio Zambeze a reduzir drasticamente a reprodução e captura da sardinha kapenta.