Lisboa, 05 jun 2026 (Lusa) — O lince-ibérico registou um crescimento demográfico de 95% no espaço de quatro anos, fixando a sua população num total recorde de 2.663 espécimes na Península Ibérica. Os dados constam do censo de 2025, divulgado esta sexta-feira pelo Ministério do Ambiente e Energia para assinalar o Dia Mundial do Ambiente, e consolidam este projeto como um dos maiores marcos de preservação ambiental na Europa.
O balanço indica uma evolução positiva de 10,9% em termos homólogos, face aos 2.401 animais identificados no ano anterior, e uma recuperação impressionante quando comparada com os 1.365 indivíduos contabilizados em 2021. Do total ibérico, 394 linces encontram-se em território português, mapeamento que engloba 265 espécimes adultos ou subadultos e 129 crias nascidas ao longo de 2025. A nível ibérico, os investigadores identificaram 542 fêmeas reprodutoras e um total de 952 crias, com a presença da espécie fixada em 26 zonas geográficas e reprodução ativa em 18 núcleos.
Em comunicado, a ministra do Ambiente e Ação Climática, Maria da Graça Carvalho, enalteceu os resultados e sublinhou que os indicadores provam ser possível travar a perda de biodiversidade através da cooperação transfronteiriça, base científica e envolvimento das populações locais. O ministério lembrou ainda o cenário crítico de 2002, altura em que restavam menos de uma centena de linces em liberdade em toda a península.
A divulgação deste censo ocorre uma semana após o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) ter recuado na intenção de substituir a equipa técnica que lidera o Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico (CNRLI), em Silves, desde 2010. A intenção inicial do instituto de assumir a gestão direta do centro gerou contestação na comunidade científica, além de protestos formais por parte das autoridades espanholas, culminando na renovação do mandato da atual equipa por mais 14 meses.