(Lusa) - O antigo chefe da Armada portuguesa, Henrique Gouveia e Melo, criticou a realização de uma perícia civil ao NRP Mondego e considerou que o processo relacionado com os militares que recusaram embarcar em 2023 “está politizado”.
Em declarações à agência Lusa, Gouveia e Melo questionou a competência da entidade responsável pela análise técnica ao navio militar e acusou tentativas de influenciar o caso fora do contexto judicial.
“Este processo está politizado e o que se pretende é ganhar o processo fora dos tribunais”, afirmou o antigo responsável pela Marinha.
Em causa está uma perícia pedida pelo Tribunal Central de Instrução Criminal ao NRP Mondego, divulgada pelo jornal Correio da Manhã, segundo a qual o navio não reunia condições de segurança adequadas para cumprir a missão em março de 2023.
De acordo com a informação divulgada, a análise técnica foi elaborada pela empresa de engenharia Navaltik.
Henrique Gouveia e Melo recordou que, na altura dos acontecimentos, os serviços operacionais da Marinha concluíram que o navio apresentava limitações, mas mantinha capacidade para navegar e cumprir missões.
O antigo chefe militar explicou ainda que foi realizada uma perícia interna independente pela Superintendência do Material da Marinha, que terá chegado às mesmas conclusões dos departamentos operacionais.
Para Gouveia e Melo, é difícil aceitar que uma entidade civil venha agora contrariar as avaliações técnicas da estrutura operacional e de manutenção da Marinha.
O almirante na reserva questionou também a legitimidade de uma entidade civil para avaliar um navio militar, defendendo que embarcações de guerra possuem características técnicas e operacionais distintas dos navios comerciais.
Apesar das críticas à perícia, Gouveia e Melo salientou que os 13 militares envolvidos foram acusados de abandono de posto e insubordinação, considerando que uma eventual existência de problemas técnicos não justificaria a recusa em cumprir a missão.
O caso remonta a março de 2023, quando quatro sargentos e nove praças recusaram embarcar no NRP Mondego para uma missão de acompanhamento de um navio russo ao largo da Madeira, alegando motivos de segurança.
Segundo informação avançada pela agência Lusa, a Marinha optou por não comentar o caso, por o processo continuar em curso nos tribunais.