Lisboa, 15 de maio de 2026 (Lusa) — O Governo foi hoje alvo de duras críticas no Parlamento, com o PS e o Bloco de Esquerda (BE) a acusarem o Executivo de falta de autonomia face às operações militares dos Estados Unidos. Em causa está a utilização da Base das Lajes no contexto do conflito com o Irão, tema que gerou um aceso debate sobre a soberania nacional e o cumprimento do Direito Internacional.
A polémica foi desencadeada por declarações do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que elogiou a prontidão de Portugal em aceitar os pedidos de Washington, chegando a sugerir que a autorização foi concedida de forma quase incondicional.
Oposição fala em "humilhação planetária" Durante o debate requerido pelo PCP, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, confrontou o Ministro dos Assuntos Parlamentares com as palavras de Rubio, classificando a postura do Governo como uma "humilhação de dimensão planetária". O socialista acusou o Executivo de se ter "agachado" perante os interesses americanos e de ter informado a oposição apenas quando os bombardeamentos no Irão já estavam em curso.
Na mesma linha, o deputado Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, exigiu o fim das "mentiras", caracterizando a Base das Lajes como um "entreposto logístico para uma guerra ilegal". O bloquista defendeu que o Governo transformou Portugal num mero acessório da estratégia militar norte-americana, sem salvaguardar os interesses e a segurança dos portugueses.
Resposta do Governo: "Portugal não é parte deste conflito" O Ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, reagiu com veemência, declarando-se "estupefacto" com a posição do PS, que considerou contrária à história do partido. O governante demarcou-se das interpretações do Secretário de Estado norte-americano, assegurando que Portugal respeita integralmente a legislação nacional e internacional no que toca a sobrevoos e aterragens em território nacional.
"Portugal não se agacha", afirmou o ministro, sublinhando que o país atua sob os preceitos das Nações Unidas e que "não vale a pena criar casos onde eles não existem". Abreu Amorim reiterou que Portugal mantém a sua soberania inamovível e que o Governo continuará a agir com prudência e rigor jurídico, mantendo o país fora da participação direta no conflito.