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Caças F-35 são realidade europeia que não existe só em "powerpoints"
Publicado em 15/05/2026 11:35
Nacional
@Lusa

Fort Worth, Texas, 15 mai 2026 (Lusa) — A Lockheed Martin defende que o programa de caças F-35 é uma "realidade europeia", com cerca de 25% das componentes da aeronave já produzidas em solo europeu. Em entrevista à agência Lusa, a empresa norte-americana sublinhou que a plataforma não existe apenas em "powerpoints", mas é uma solução provada e operacional.

"Há quem tenha ativos que nunca foram utilizados em situações reais. Há quem tenha algumas ideias que existem apenas em apresentações de «powerpoint». Está em causa confiança. A mensagem não é «confiem em nós», a mensagem é «já provámos que conseguimos»", afirmou Nicholas Smythe, vice-presidente da Estratégia de Campanhas de Sustentação na Lockheed Martin.

As declarações surgem no âmbito de uma visita da imprensa portuguesa às instalações da empresa em Fort Worth, no Texas. A Lockheed concorre atualmente com os suecos da SAAB (caças Gripen) e com o consórcio europeu Airbus (Eurofighter Typhoon) para a substituição da esquadra nacional de F-16, que se encontra em fim de vida útil.

Embora o Ministro da Defesa, Nuno Melo, refira que o processo oficial ainda não teve início, a preferência militar pelo F-35 tem sido sinalizada pelo atual Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), general João Cartaxo Alves. No entanto, o contexto geopolítico introduz variáveis complexas, com a União Europeia a incentivar a produção militar interna face à incerteza sobre o futuro compromisso dos Estados Unidos com a NATO.

Recentemente, o Presidente da República, António José Seguro, insistiu na necessidade de uma autonomia estratégica europeia, mantendo a aliança com os EUA mas sem uma "lógica de subjugação". Em contrapartida, Washington tem elogiado a postura colaborante de Portugal na utilização da Base das Lajes durante o conflito com o Irão, vendo na aquisição dos F-35 o passo lógico para fortalecer esta parceria.

Nicholas Smythe rejeita que o contexto internacional prejudique a empresa, reiterando a integração industrial no Velho Continente. "Somos uma solução europeia. Temos uma linha de montagem final e verificação em Cameri, Itália. Além da produção, dispomos de armazéns, formação, logística e centros de reparação europeus. É um modelo de sucesso em matéria de cooperação", realçou o responsável.

Também Chauncey McIntosh, diretor-geral do programa F-35, definiu o investimento como um "programa global" que apoia a estratégia europeia e gera emprego. "A parte dianteira da fuselagem é produzida na Finlândia, a secção central na Alemanha e a parte traseira no Reino Unido", exemplificou, a partir da linha de produção que se estende por mais de um quilómetro.

Sobre as críticas da concorrência relativas aos custos, a Lockheed assegura que o programa é "acessível" e que os valores baixaram significativamente nos últimos cinco anos devido às economias de escala. Atualmente, 20 nações já escolheram o F-35, 13 das quais são europeias, incluindo Alemanha, Grécia e Polónia. A empresa espera agora que Portugal seja o próximo país a integrar esta lista.

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