Os oceanos mundiais registaram em março uma temperatura média de 20,97°C, um valor que coloca o último mês como o segundo mais quente de sempre, apenas superado pelo recorde de março de 2024. Segundo os dados avançados pela agência Lusa, com base no boletim mensal do observatório europeu Copernicus, este aquecimento das águas à superfície é um indicador claro de que o fenómeno climático El Niño poderá regressar já na segunda metade de 2026.
A subida de temperatura, que se mantém em rota ascendente durante o mês de abril, ocorre num momento de transição climática. Após o esmorecimento do fenómeno La Niña, que tende a arrefecer as águas, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima agora uma probabilidade elevada de que o El Niño se instale até julho.
Este fenómeno cíclico, caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico, tem um efeito dominó no clima global, potenciando ondas de calor extremas e desestabilizando padrões de pluviosidade. Conforme destaca o Copernicus, a combinação do aquecimento global de origem humana com este ciclo natural coloca o sistema climático sob uma pressão "sustentada e cada vez mais forte".
Os efeitos deste aquecimento já se fazem sentir tanto no mar como em terra. O calor intenso enfraquece os ecossistemas marinhos, como os corais, enquanto o aumento da temperatura da água intensifica fenómenos meteorológicos extremos, incluindo ciclones e chuvas torrenciais.
Em terra, março de 2026 fixou-se como o quarto mais quente da história, com a Europa a manter-se como o continente que aquece mais rapidamente. O observatório confirmou ainda que a banquisa do Ártico atingiu este inverno a menor superfície alguma vez registada, um fator crítico que pode libertar grandes quantidades de gases com efeito de estufa na atmosfera.
Segundo o diretor do serviço de alterações climáticas do Copernicus, Carlo Buontempo, o conjunto destes dados oferece um retrato preocupante de um planeta sujeito a alterações profundas e aceleradas, onde cada novo registo reforça a urgência de monitorização e ação climática.