O Tratado Novo START, último acordo de limitação de armas nucleares estratégicas entre os Estados Unidos e a Rússia, expira esta semana, deixando os dois países sem qualquer restrição legal sobre o tamanho dos seus arsenais nucleares — algo que não acontecia desde 1972.
Assinado em 2010 pelo então presidente americano Barack Obama e pelo presidente russo Dmitry Medvedev, o pacto limitava o número de ogivas nucleares estratégicas a 1.550 e de sistemas de lançamento a 700. Além disso, permitia até 18 inspeções anuais de instalações nucleares em cada país para garantir o cumprimento dos limites. Estas inspeções, no entanto, foram suspensas desde março de 2020 devido à pandemia e à guerra na Ucrânia, quando a Rússia se afastou da fiscalização, continuando como signatária apenas formalmente.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que, se o tratado expirar, será substituído por um acordo “melhor”, envolvendo também a China. Já o presidente russo, Vladimir Putin, sugeriu manter os limites de ogivas por mais um ano de forma informal, mas sem um acordo oficial. Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança russo, alertou que o fim do pacto significa que EUA e Rússia terão capacidade ilimitada para expandir os seus arsenais, aumentando o risco de uma nova corrida nuclear.
Especialistas em segurança internacional destacam que a expiração do tratado representa uma ruptura histórica no controle de armas, podendo levar ambos os países a reforçar os seus arsenais e a aumentar a incerteza estratégica global. Com cerca de 90% das ogivas nucleares do mundo concentradas nestas duas potências, qualquer aumento na produção ou implantação de armas nucleares tem impacto direto na segurança internacional.
Fonte da notícia: The New York Times
Foto: Jae C Hong / AP (arquivo)