Grupos de agricultores franceses intensificaram os protestos contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, bloqueando esta segunda-feira um depósito de petróleo em La Rochelle e silos de cereais em Bayonne, no oeste e sudoeste do país.
Segundo relatos da agência AFP, cerca de 30 tratores e 60 manifestantes ergueram barricadas de fardos de palha em frente às instalações do porto industrial de La Pallice, em La Rochelle. Paralelamente, outros manifestantes bloquearam a fábrica de processamento de grãos Maïsica no porto de Bayonne.
Na rodovia A63, uma centena de agricultores que ocupava o local desde sexta-feira suspendeu temporariamente o bloqueio durante a noite, após negociações com as autoridades locais. No norte da França, dezenas de agricultores mantêm a ocupação na rodovia A1, no sentido Lille-Paris, considerada a estrada mais movimentada do país.
Os protestos, iniciados no mês passado contra a gestão da dermatite nodular contagiosa bovina (DNCB), ganharam força com a aprovação do acordo EU-Mercosul na sexta-feira, que será assinado no sábado no Paraguai. Os críticos do tratado alertam que ele poderá prejudicar a agricultura europeia, permitindo a importação de produtos mais baratos da América Latina, que nem sempre cumprem os padrões europeus.
Além da França, manifestações semelhantes têm ocorrido na Itália, Polónia e Irlanda, refletindo a crescente oposição agrícola ao acordo, que cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores.
O movimento mobiliza sindicatos locais, como a Coordenação Rural e o Modef, e demonstra a crescente determinação dos agricultores em defender os seus interesses contra políticas internacionais que consideram injustas.
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