O aparente sucesso da operação norte-americana que levou à captura do líder venezuelano Nicolás Maduro parece ter reforçado a postura intervencionista do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já aponta novos alvos na região e até entre países aliados. Nos últimos dias, o chefe de Estado voltou a atacar verbalmente o presidente da Colômbia e passou, pela primeira vez, a avançar prazos concretos para uma possível ofensiva política sobre a Gronelândia, território autónomo do Reino da Dinamarca.
Durante uma viagem no Air Force One, Trump afirmou que os Estados Unidos “precisam da Gronelândia por razões de segurança nacional”, argumentando que a Dinamarca não tem capacidade para garantir o controlo estratégico do território no Ártico. O presidente norte-americano chegou mesmo a falar em prazos de poucas semanas ou meses para se debruçar sobre o tema, numa escalada inédita de pressão sobre um país aliado da NATO.
As declarações provocaram reações imediatas. O primeiro-ministro da Gronelândia rejeitou qualquer intenção de controlo externo, enquanto a primeira-ministra dinamarquesa classificou as palavras de Trump como “absolutamente absurdas”, apelando a Washington para que cesse as ameaças. França foi um dos primeiros países a manifestar solidariedade com a Dinamarca, sublinhando que as fronteiras não podem ser alteradas pela força.
A importância estratégica da Gronelândia, rica em minerais essenciais para a transição energética e crucial para a vigilância militar no Ártico, ajuda a explicar o interesse dos Estados Unidos. Especialistas alertam, no entanto, que uma ação unilateral norte-americana poderá criar precedentes perigosos no equilíbrio internacional, num contexto em que os EUA já não detêm a mesma supremacia militar incontestável de décadas passadas.
Paralelamente, Trump voltou a dirigir duras acusações ao presidente colombiano, Gustavo Petro, a quem chamou traficante de cocaína, sugerindo mesmo que uma intervenção militar na Colômbia seria aceitável. As declarações foram rejeitadas por Petro, que acusou Washington de calúnia e de interferência inaceitável nos assuntos internos de um país soberano, lembrando ainda a ação militar dos EUA na Venezuela.
Apesar de Colômbia e Estados Unidos serem aliados históricos, as relações entre os dois países deterioraram-se desde o regresso de Trump à Casa Branca, com sucessivos confrontos diplomáticos sobre comércio, migração e segurança.
Trump estendeu ainda a sua retórica a Cuba, afirmando que o regime cubano estará “pronto para cair”, alegadamente enfraquecido pela perda do apoio venezuelano. Segundo o presidente norte-americano, Havana dificilmente resistirá sem o fornecimento de petróleo subsidiado de Caracas, não sendo necessária, para já, qualquer ação militar direta.
FonteJNimagemwhitehouse.gov/