José Sócrates, ex-primeiro-ministro português entre 2005 e 2011, começou finalmente a ser julgado em 2025 no âmbito da Operação Marquês, tornando-se o primeiro antigo chefe de Governo português a enfrentar um processo desta natureza. O julgamento decorre no Tribunal Central Criminal de Lisboa, presidido por Susana Seca, e envolve ainda 20 outros arguidos.
O processo tem sido marcado por confrontos entre Sócrates, a sua defesa e a juíza-presidente. Em novembro, o advogado Pedro Delille, que acompanhava o ex-governante desde 2014, renunciou à defesa alegando “razões deontológicas”. José Preto foi nomeado como novo defensor, embora disponha apenas de um prazo limitado para se inteirar de um processo complexo, que inclui mais de cem testemunhas.
José Sócrates foi pronunciado por 22 crimes, incluindo três de corrupção, relacionados com alegados subornos recebidos através de testas-de-ferro e contas no estrangeiro, para favorecer grupos económicos como o Lena, o Grupo Espírito Santo e o resort de Vale do Lobo. Além dele, sentam-se no banco dos réus empresários e antigos administradores de grandes empresas, num total de 21 arguidos com 117 crimes económico-financeiros imputados.
O julgamento já contou com depoimentos de antigos ministros, gestores bancários e até empregados domésticos, centrados nos fluxos financeiros ligados a Sócrates. O ex-primeiro-ministro nega qualquer enriquecimento ilícito e acusa o Ministério Público de motivações políticas.
O processo deve prosseguir em janeiro de 2026, com a previsão de que ainda faltam ser ouvidas mais de cem testemunhas. Alguns crimes mais antigos poderão prescrever caso o julgamento não seja concluído dentro de determinados prazos legais.
Fonte cnnporugalimagemsicnoticias