Lisboa, 10 set 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, classificou esta quinta-feira como "extremamente inquietantes" as recentes ações de guerra híbrida atribuídas à Federação Russa em solo europeu. Durante uma audição na comissão parlamentar de Assuntos Europeus, o governante destacou a gravidade do ataque frustrado com drones carregados de explosivos no aeroporto alemão de Leipzig, ocorrido em agosto, revelando que a diplomacia portuguesa já chamou o representante de Moscovo em Lisboa para formalizar uma "advertência diplomática".
Reagindo às retaliações verbais do Kremlin contra a posição de Lisboa, Rangel reforçou que Portugal tem sido intransigente na aplicação de todos os pacotes de sanções da União Europeia. "Portugal não está contra a Rússia, mas contra o regime", frisou o ministro, sublinhando a necessidade de separar o povo russo do regime ditatorial liderado por Vladimir Putin.
Apesar de todas as bancadas parlamentares concordarem com a gravidade da ameaça russa, o debate ficou marcado por um aceso confronto entre Paulo Rangel e o Chega. O deputado Pedro Correia condenou o incidente em Leipzig e reafirmou o apoio do partido à NATO e à Ucrânia, mas o chefe da diplomacia portuguesa apontou uma contradição direta no discurso da extrema-direita.
Rangel criticou abertamente os festejos do Chega após a vitória eleitoral da Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxónia-Anhalt, lembrando que a força política alemã defende o fim do auxílio militar a Kiev, a retoma imediata das compras de gás a Moscovo e o ensino da língua russa. "Têm de se decidir se às segundas, quartas e sextas estão a favor da Ucrânia e às terças, quintas e sábados estão a favor da Rússia", rematou o governante, acusando a bancada de André Ventura de manter uma posição ambígua nas relações internacionais.