Lisboa, 10 set 2026 (Lusa) — O mês de agosto de 2026 tornou-se o mais quente de sempre a nível global desde que há registos, superando as marcas históricas de 2023 e 2024. A confirmação foi dada esta quinta-feira pelo serviço europeu de monitorização Copernicus, que revelou ainda que a Europa ocidental viveu o verão mais tórrido da sua história recente, ultrapassando o recorde estabelecido em 2003.
De acordo com os dados do programa comunitário, a temperatura média global do ar à superfície atingiu os 16,96 graus centígrados em agosto, fixando-se 1,65 graus acima dos níveis pré-industriais. Trata-se do primeiro mês a ultrapassar a barreira crítica dos 1,5 graus desde novembro de 2025, impulsionado pela combinação do aquecimento global — decorrente da queima continuada de combustíveis fósseis — com a intensificação do fenómeno El Niño no Pacífico equatorial.
A vaga de calor extremo refletiu-se também com gravidade nos oceanos: a temperatura média da superfície do mar fora das regiões polares igualou o pico histórico de março de 2024, ao mesmo tempo que a média global diária das águas oceânicas bateu um novo recorde absoluto ao alcançar os 21,11 graus. O aquecimento oceânico já se desdobra em impactos em terra firme, acelerando a propagação de grandes incêndios florestais em regiões como a Indonésia.
No continente europeu, o verão de 2026 (compreendido entre junho e agosto) consolidou-se como o terceiro mais quente de sempre, deixando múltiplos países da Europa central e ocidental sob seca severa. A escassez prolongada de precipitação desde a primavera provocou reduções drásticas nos caudais de grandes artérias fluviais europeias, incluindo os rios Reno e Danúbio, alertando os especialistas para os impactos crescentes da crise climática na economia e nos ecossistemas globais.