Lisboa, 20 jul 2026 (Lusa) — O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), José Feliciano Costa, atacou esta segunda-feira a postura do ministro da Educação, acusando-o de semear um "clima de desconfiança" generalizado sobre a classe docente para encobrir as falhas na gestão dos exames nacionais. O dirigente sindical reiterou que Fernando Alexandre perdeu a sustentação política necessária para permanecer no Executivo.
As declarações surgiram após uma reunião de trabalho com o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, na sede da estrutura sindical em Lisboa. Em causa estão as afirmações do ministro, que revelou a existência de professores com centenas de provas atribuídas sem qualquer avaliação concluída, propondo a contratualização do serviço como solução de futuro.
Para o líder da Fenprof, este tipo de discurso alinha-se com as críticas veladas que o próprio Primeiro-Ministro já tinha dirigido à classe profissional, tentando imputar o colapso do sistema de correção digital aos trabalhadores.
“Isto é gravíssimo. Lançou um clima de suspeição sobre os professores, mas o único responsável político por este processo caótico é o próprio ministro da Educação”, vincou o dirigente sindical.
José Feliciano Costa rejeitou categoricamente a tentativa do Ministério em transmitir uma ideia de normalidade, lembrando que milhares de profissionais foram forçados a cumprir horários extenuantes, trabalhando durante noites e fins de semana para tentar contornar os graves problemas técnicos da plataforma digital.
Além de criticar a incerteza quanto à forma como o Governo pretende remunerar este trabalho suplementar, a Fenprof expressou grande preocupação com o anúncio de uma época especial de exames em setembro. Segundo a federação, a criação de mais uma fase de testes vai sobrecarregar as escolas numa altura em que as direções deviam estar focadas em preparar o arranque do próximo ano letivo, prometendo uma vigilância apertada para impedir novos prejuízos a alunos e docentes.