Nova Iorque, 24 set 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu esta quarta-feira uma remodelação profunda nas dinâmicas de funcionamento do Conselho de Segurança das Nações Unidas, prometendo que a diplomacia nacional lutará por uma estrutura "mais transparente, mais democrática e mais representativa" quando assumir o mandato de membro não-permanente no biénio 2027-2028.
No seu discurso perante a 81.ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, o chefe do Executivo português agradeceu a eleição do país à primeira volta e traçou as linhas mestras da atuação diplomática sob o lema "prevenir, cooperar e proteger". Montenegro sublinhou a determinação de Portugal em atuar como um mediador de consensos e "construtor de pontes", com um foco atento às assimetrias que afetam as nações em desenvolvimento.
A intervenção ficou marcada pelo apelo a uma verdadeira igualdade de atenção humanitária perante a geopolítica global. "Não há conflitos de primeira e de segunda classe. Todos nos interpelam. Todos", vincou o governante, sustentando que a reforma das instâncias multilaterais exige a atribuição de assentos permanentes a potências emergentes e regiões sub-representadas, com destaque para África, o Brasil e a Índia.
A par da reestruturação geopolítica, o primeiro-ministro fez valer o peso demográfico do português no palco internacional. Apontando a língua portuguesa como a mais falada no Hemisfério Sul, com quase 300 milhões de falantes pelo globo, Montenegro exigiu que as Nações Unidas confiram um valor e um estatuto condizentes à dimensão do idioma no ecossistema das suas instituições oficiais.