A Netflix confirmou que recorreu a ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no desenvolvimento de aproximadamente 300 títulos integrados no seu catálogo ao longo deste ano. A revelação expõe a verdadeira dimensão e rapidez com que a tecnologia está a ser adotada nos bastidores da criação de conteúdos digitais pela líder do mercado de streaming.
De acordo com as informações avançadas, a utilização de IA pela plataforma não se limitou a tarefas puramente técnicas de pós-produção ou algoritmos de recomendação. A tecnologia terá sido aplicada em diferentes fases do processo criativo e logístico de centenas de projetos, abrangendo desde a otimização de efeitos visuais e edição até áreas de apoio à tradução e dobragem de conteúdos internacionais.
Esta declaração surge num momento de forte sensibilidade na indústria do entretenimento global. Nos últimos tempos, o avanço da IA tem gerado acesos debates e protestos por parte de sindicatos de argumentistas, atores e criadores visuais, que temem a desvalorização do trabalho humano e a falta de regulação sobre os direitos de autor no treino destes modelos digitais.
Ao assumir este volume de produções assistidas por IA, a Netflix coloca-se no centro da discussão sobre o futuro do cinema e da televisão. Enquanto os defensores da tecnologia apontam para uma maior eficiência e redução de custos operacionais, os críticos alertam para os riscos éticos e artísticos que uma automação excessiva pode trazer para a narrativa audiovisual.
Fonte-Lusa