Sabugal, Guarda, 07 jul 2026 (Lusa) — O incêndio florestal que deflagrou no início da tarde desta terça-feira na localidade de Bendada, no concelho do Sabugal, lavra com duas frentes ativas. O fogo progride agora em direção às freguesias de Penalobo (ainda no Sabugal) e de Benespera, já em território do concelho da Guarda.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Vítor Proença, explicou que a situação no ponto de origem, na Bendada, já se encontra estabilizada e sem habitações em perigo. Contudo, o autarca revelou um forte contratempo no combate inicial: a forte presença de linhas de alta tensão naquela área impediu os meios aéreos de efetuarem descargas de água, o que dificultou a missão dos bombeiros e permitiu que as chamas alastrassem. O fogo acabou por saltar a estrada, avançando rumo à Quinta dos Bacelos, em Penalobo, e abrindo uma segunda frente em direção à Guarda.
A geografia do terreno é outro dos grandes desafios para as equipas de socorro. Por se tratar de uma zona muito acidentada e repleta de vales encaixados — que já tinha sido fustigada por fogos rurais em anos recentes —, o combate direto torna-se quase impossível. O autarca adiantou que os operacionais no terreno estão estrategicamente posicionados a aguardar que as chamas alcancem as estradas e caminhos florestais, os únicos locais que oferecem condições de segurança para travar o avanço do incêndio.
Com o cair da noite e a consequente retirada obrigatória dos meios aéreos, as chefias iniciaram o reposicionamento das viaturas e dos homens no teatro de operações. Segundo os dados oficiais da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), pelas 20:00 o dispositivo contava com 367 operacionais, apoiados por 99 veículos e oito aeronaves (sendo que o combate chegou a mobilizar 11 meios aéreos em simultâneo). O município aguarda agora o reforço da Força Especial de Bombeiros para tentar controlar a situação e avançar com os trabalhos de rescaldo durante a madrugada.