Lisboa, 05 jul 2026 (Lusa) — Portugal alcançou o maior crescimento anual no orçamento da Defesa dos últimos dez anos no período entre 2024 e 2025. Segundo o mais recente relatório da NATO, o investimento português ascendeu aos 6,1 mil milhões de euros, o que representa uma subida abrupta de 1,6 mil milhões face aos 4,4 mil milhões registados no ano anterior. Este esforço financeiro coloca, pela primeira vez, o país na meta oficial de 2% do PIB.
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, confirmou que a delegação portuguesa chega à cimeira de Ancara, na Turquia, com 2,01% da riqueza nacional alocada ao setor. Este cumprimento surge num momento em que a NATO já debate novas metas (5% do PIB até 2035) e a Europa tenta ganhar autonomia face ao desinvestimento e pressões dos Estados Unidos. Apesar deste salto histórico, Portugal manteve-se em 2025 como o 12.º Aliado com maior subida percentual, embora continue abaixo da média global da organização (2,77%).
A nível interno, a maior fatia do orçamento português continua a ser absorvida pelos custos com pessoal, que representam 45% do bolo total (uma quebra face aos 54,7% de 2024). Por outro lado, a verba destinada à aquisição de equipamento militar subiu de 15% para 21%. Esta modernização das Forças Armadas está em linha com a candidatura portuguesa ao programa europeu SAFE, avaliada em 5,8 mil milhões de euros, destinada à compra de novos blindados, drones, fragatas e sistemas de artilharia.
A nível diplomático, Lisboa tem conseguido equilibrar as relações com a administração norte-americana de Donald Trump — mantendo a cooperação na Base das Lajes e estudando a eventual compra de caças F-35 — sem descurar as parcerias europeias e regionais. Exemplo disso são os dois navios reabastecedores em construção na Turquia com entrega prevista para 2028 e o recente reforço de 130,4 milhões de euros aprovado pelo Governo para apoiar militarmente a Ucrânia.