Porto, 29 jun 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP assegurou esta segunda-feira, no Porto, que o impacto político e social provocado pelo chumbo da revisão da legislação laboral supera o mero bloqueio da iniciativa governamental, criando o cenário ideal para a construção de uma alternativa política no país. Paulo Raimundo discursou perante os participantes da marcha "Luta, caminho da Vitória – Salários, Pensões, Serviços Públicos — Novo Rumo para Portugal", uma iniciativa que mobilizou mais de 300 manifestantes entre a Praça da Batalha e a Rua de Santa Catarina. O líder comunista enfatizou que, se a moldura humana que travou a proposta de lei do Executivo ganhar consciência do seu verdadeiro poder de influência, haverá condições não apenas para travar medidas austeras, mas para redefinir o rumo socioeconómico de Portugal.
O dirigente do PCP salvaguardou que este novo horizonte político terá de priorizar o combate à degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e travar a escalada inflacionista que afeta o quotidiano dos cidadãos. A propósito do custo de vida, Raimundo deu o exemplo do setor dos combustíveis, apontando que, apesar de se registar uma tendência internacional de alívio nos preços de referência, essa redução tarda em refletir-se de forma justa nas carteiras dos consumidores portugueses. O protesto na Invicta serviu assim para os militantes e simpatizantes celebrarem a recente rejeição parlamentar do documento laboral, transformando o momento numa plataforma de exigências sociais.
Confrontado com as declarações que proferiu no dia anterior, nas quais recorreu a metáforas animais para caracterizar os partidos da direita — rotulando a IL de "lebre política", o Chega de "abre-latas" barulhento e a coligação PSD/CDS como os executores de turno —, o secretário-geral foi mais contido ao ser instado a traçar um perfil da esquerda portuguesa contemporânea. Evitando catalogar os restantes partidos do seu espetro ideológico, Paulo Raimundo preferiu focar-se na definição de metas estratégicas, sustentando que o panorama político nacional exige uma esquerda que, salvaguardando as respetivas identidades e diferenças, recuse terminantemente qualquer tipo de aliança ou entendimento com as forças da direita.