Lisboa, 29 de junho de 2026 (Lusa) — O PSD anunciou que vai avançar com um pedido de audição parlamentar urgente para confrontar antigos membros do governo socialista, incluindo o atual líder do PS, José Luís Carneiro. O objetivo é apurar se o anterior executivo tinha conhecimento do forte crescimento populacional revelado recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em conferência de imprensa realizada na sede nacional do partido, o porta-voz e vice-presidente do PSD preferiu não adiantar se o ex-primeiro-ministro António Costa fará parte da lista de convocados, remetendo os detalhes e as datas das audições para o líder da bancada parlamentar, Hugo Soares.
“O Governo então em funções agiu com conhecimento ou sem conhecimento do aumento populacional agora tornado público?”, questionou o dirigente, apontando o dedo ao que classificou como uma "política migratória desregrada" do anterior Executivo e questionando o impacto dessa gestão nos serviços públicos.
Ao ser confrontado sobre a chamada de José Luís Carneiro, o eurodeputado considerou a sua presença "natural", sublinhando que o atual secretário-geral do PS carrega responsabilidades diretas na extinção do SEF e na tutela da Administração Interna, além do seu passado na gestão da rede consular.
De acordo com a análise do PSD, o salto da população estrangeira em Portugal — que duplicou de 7,1% para 14% entre os anos de 2021 e 2025 — está diretamente ligado às decisões do anterior governo socialista. Para o partido da maioria, este fenómeno acabou por camuflar o verdadeiro rendimento per capita dos portugueses e sobrecarregou áreas críticas como a habitação, a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
O porta-voz do PSD aproveitou o momento para defender que os novos dados estatísticos dão razão às recentes restrições impostas à lei da imigração pelo atual Governo de Luís Montenegro, recusando entrar no debate sobre se o país tem imigrantes a mais ou a menos. "O problema foi de regras a menos", atirou.
Em tom de fecho, e quando questionado sobre a sua capacidade de conciliar as funções em Bruxelas com o cargo de porta-voz do partido, Sebastião Bugalho respondeu com ironia aos críticos, garantindo que manterá o seu ritmo de trabalho e lembrando que regista uma taxa de assiduidade superior a 94% no Parlamento Europeu.