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Carneiro desafia Governo a fazer "inversão de marcha" e critica jogos com o Chega
No arranque das jornadas parlamentares, o líder do PS acusa o executivo de conduzir o país "em contramão" e de criar cortinas de fumo ideológicas para esconder a insensibilidade social.
Por Redação
Publicado em 29/06/2026 12:26
Nacional
@Lusa

Lisboa, 29 de junho de 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS lançou hoje um forte aviso ao Executivo da AD, exortando-o a mudar urgentemente de rumo. À chegada a Lisboa, após uma viagem de comboio partindo de Sintra que marcou o início das jornadas parlamentares socialistas, José Luís Carneiro comparou a rota do Governo a uma viagem "em contramão numa autoestrada e em grande velocidade", alertando para o desfecho perigoso desta estratégia.

Questionado sobre se o recente entendimento em torno da Prestação Social Única (PSU) poderia abrir uma nova etapa de diálogo com o Executivo, o líder da oposição foi taxativo ao apontar o dedo aos "jogos ideológicos" que a maioria tem cozinhado em conjunto com o Chega, servindo, na sua ótica, apenas para desviar o foco dos problemas reais do país.

Como exemplo dessas alegadas táticas de diversão, Carneiro recordou o anúncio recente do Fundo Soberano, que classificou ironicamente como um "OVNI" que desapareceu do debate público passados escassos dias. "São manobras de diversão ideológica que fazem com que as atenções mediáticas saiam daquilo que é o essencial", criticou, sublinhando que as prioridades diárias dos portugueses passam pelo custo de vida, habitação, saúde e rendimentos.

O líder socialista vincou que o grupo parlamentar do PS vai focar os seus trabalhos desta semana em medidas concretas para aliviar o bolso dos cidadãos face à pressão inflacionista. O partido prepara-se para forçar o debate através de um agendamento potestativo, insistindo em propostas que já tinham sido chumbadas pela AD e pelo Chega.

Entre as prioridades que os socialistas vão reintroduzir na Assembleia da República constam a aplicação do IVA zero nos cabazes de alimentação essencial, o alívio fiscal sobre a eletricidade, o gás e os combustíveis, além de pacotes de apoio financeiro direto aos setores da agricultura e das pescas para mitigar os custos de produção.

Lamentando a "insensibilidade" do Governo face ao quotidiano das famílias, José Luís Carneiro deixou ainda um apelo direto aos órgãos de comunicação social para que não se deixem enredar em agendas de distração. Segundo o secretário-geral do PS, o divórcio entre os cidadãos e as instituições democráticas agrava-se precisamente quando os eleitores sentem que os políticos passam o tempo focados em guerras ideológicas mediáticas, deixando de lado as soluções para as suas vidas.

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