Lisboa, 29 de junho de 2026 (Lusa) — Os técnicos de comunicações de emergência da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) iniciaram esta segunda-feira um período de greve que se vai estender até à próxima sexta-feira. Na base do protesto está a exigência da criação de uma carreira profissional própria e regulamentada, embora os envolvidos garantam que a assistência e o socorro público não serão afetados.
De acordo com as declarações de Alexandre Carvalho, líder do Sindicato Independente dos Trabalhadores da Floresta, Ambiente e Proteção Civil (SinFAP), a segurança e a resposta a emergências estão totalmente salvaguardadas devido ao cumprimento rigoroso dos serviços mínimos acordados. Devido à orgânica do trabalho por turnos, o impacto prático da paralisação começou a sentir-se ainda na noite de domingo, a partir das 20:00.
O representante sindical explicou à agência Lusa que, após o pré-aviso de greve emitido em maio, a estrutura foi recebida pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha. Apesar de o governante ter demonstrado abertura para abrir uma mesa de negociações rumo à criação da carreira pretendida, o sindicato optou por avançar com o protesto. O objetivo é "dar visibilidade a estes trabalhadores", descritos pela estrutura como a autêntica "espinha dorsal" de toda a rede de socorro do país.
Além da vertente salarial e profissional, os grevistas exigem também uma profunda reorganização estrutural na ANEPC. O caderno de encargos inclui o pedido de reversão do modelo atual, exigindo o regresso dos antigos Comandos Distritais de Operações de Socorro, que em 2023 haviam sido extintos para dar lugar aos atuais 24 Comandos Sub-Regionais de Emergência e Proteção Civil.
Com a garantia de que as chamadas de emergência e as missões de salvamento avançam sem sobressaltos sob a cobertura dos serviços mínimos, o impacto desta semana de greve — que termina a 3 de julho — far-se-á sentir noutras frentes. Segundo as previsões do SinFAP, vão registar-se atrasos e bloqueios em funções de cariz estritamente administrativo, na emissão dos relatórios de estados de prontidão das forças e em comunicações internas não urgentes.