Lisboa, 28 de junho de 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou este domingo o Partido Socialista de ter servido de amparo a um executivo fragilizado para viabilizar a Prestação Social Única (PSU). Para o líder comunista, o auxílio do PS não resolve os problemas de fundo da medida e serve apenas para resgatar uma governação que considera "derrotada e isolada".
As declarações foram proferidas em conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa, após a reunião do Comité Central do PCP. Raimundo lamentou a ausência de um debate profundo sobre a PSU ao longo de todo o processo legislativo e vincou que a prioridade dos comunistas não passa por analisar as alianças partidárias do Governo, mas sim os impactos reais das decisões na vida dos cidadãos. Na mesma intervenção, recusou a tese de que o executivo esteja refém da agenda da extrema-direita.
"A Iniciativa Liberal é a grande lebre, é aquilo que dá a orientação ideológica de fundo. O Chega tem o papel de abre-latas, é o que abre a lata da política, e o Governo concretiza a política", ilustrou o dirigente máximo do PCP, desenhando o que considera ser a orgânica da direita parlamentar.
No plano da reforma laboral, Paulo Raimundo rebateu frontalmente o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que tinha reivindicado para os socialistas os louros do chumbo do pacote de alterações à lei do trabalho. O líder do PCP assegurou que o recuo nas medidas laborais se deve, por inteiro, à persistência das classes trabalhadoras e à intervenção da CGTP, destacando também a determinação inabalável e o papel central que os comunistas assumiram no processo.
"É uma grande vitória dos trabalhadores, acima de tudo, pelo que significa na vida de cada um dos trabalhadores, pelo caminho que abre, e é uma grande vitória da CGTP, que nunca vacilou em todo este processo, pelo contrário, mostrou a sua força", asseverou.
A fechar as conclusões do Comité Central, Paulo Raimundo deixou um aviso claro ao Governo e aos restantes partidos, antecipando novas investidas na legislação laboral. O secretário-geral do PCP garantiu que, caso o executivo tente aprovar de forma faseada ou parcelar aquilo que viu ser rejeitado em bloco, enfrentará novamente a firmeza, a mobilização organizada e o bloqueio dos trabalhadores.